Amadora-Sintra. Bastidores de um hospital que se prepara em tempo recorde para receber doentes Covid

As obras para fazer face à pandemia da Covid-19 no Hospital Amadora-Sintra estão a decorrer em tempo recorde. Estima-se que esteja pronta a receber doentes na altura do Natal. Isso inclui uma nova unidade de cuidados intensivos, uma urgência reestruturada e a uma urgência exclusiva a doentes Covid.

Filipe Chibante é o diretor do serviço de instalações e equipamentos, e é quem dá a cara pela obra que sabe de cor. É de costas para as folhas A3 afixadas no corredor que explica como vai ficar a nova unidade de cuidados intensivos que está junto do serviço de medicina intensiva, urgência geral e bloco operatório.

"Nesta área de 460 metros quadrados, vamos ter 15 camas destinadas a doentes com necessidade de isolamento", conta à TSF Filipe Chibante, enquanto cumprimenta os mais de 30 trabalhadores que passaram a noite no hospital para adiantar a empreitada. São muitos e trabalham 24 horas sobre 24 horas para dar resposta aos doentes que possam aparecer, mas isso tem consequências para os que já estão no hospital. "Tenho doentes a queixarem-se no quarto piso de uma torre porque não conseguem dormir." Estão 24 horas a ouvir barulho. Esta unidade está a nascer na área que atualmente pertence à unidade de cirurgia ambulatória, perto do serviço de medicina intensiva, urgência geral e bloco operatório. Na continuação do corredor está a urgência, que, desde março, tem sido adaptada a uma pandemia que apareceu sem avisar.

Atualmente, há um painel a separar a zona Covid e não Covid. Os profissionais de saúde circulam pelo espaço equipados dos pés à cabeça. É curioso perceber que, num espaço tão vedado, exista uma janela. A razão não é óbvia, mas Filipe Chibante explica. "Na transição onde os profissionais se desparamentam, há uma janela para o profissional que está cá fora conseguir perceber se se estão a despir bem ou se não há nenhum equipamento rasgado", esclarece.

O exterior do hospital não fica longe. É lá que vai ficar a urgência para doentes Covid. Está quase tudo pronto: as camas já estão no lugar certo e as dezenas de ventiladores esperam em fila indiana por quem deles vai precisar.

"São 750 metros quadrados para doentes Covid. Perdemos, efetivamente, parte do estacionamento, mas vamos ganhar em cuidados", diz Filipe Chibante sobre o espaço inteiramente financiado pelas câmaras de Sintra e Amadora. Ao todo, foram 1,2 milhões de euros. Mas há mais. Outros 600 mil euros foram investidos na compra de uma TAC para diagnosticar lesões pulmonares provocadas pelo novo coronavírus.

Ao percorrer os corredores, Filipe Chibante vai apontando para os sinais da mudança. Afinal, "a pandemia trouxe-nos criatividade e nós somos a máquina por trás da máquina". Mas nem todas as mudanças são fáceis de ver. O diretor do serviço de instalações e equipamentos refere-se ao contentor branco situado no parque de estacionamento. "É uma morgue. O hospital tem alugado um contentor frigorífico porque já não tem espaço para ter tantos corpos. Às vezes, veem-se uma espécie de velórios junto do contentor", refere.

Durante esta visita guiada, o telemóvel de Filipe Chibante tocou mais de 30 vezes, "é o normal". Mas o responsável garante que só descansa quando a obra estiver concluída. Até lá, tem de resolver todos os contratempos que possam aparecer, mesmo os mais insólitos. "Este fim de semana, houve uma vaca que resolveu visitar-nos. Entrou pelo hospital, saiu pela porta da frente e pôs seguranças, polícias e eletricistas atrás dela. Ficámos todos perplexos com a situação", recorda. Na altura, a situação deu-lhe um ataque de riso, admite. E era mesmo disso que estava a precisar.

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