Ambientalistas do Algarve contestam soluções da "bazuca europeia" para combater a seca

O Governo prevê gastar 200 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência ​​​​​​​na melhoria de eficiência hídrica e adaptação à seca no Algarve.

As soluções preconizadas no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) desagradam às associações ambientalistas que consideram que o Governo está a avançar para medidas extremas.

As associações, agregadas na Plataforma Água Sustentável (PAS), estranharam ver que no Plano de Recuperação e Resiliência as soluções para a falta de água apontam para a criação de centrais de dessalinização e para o transvase de água do Guadiana.

A PAS, da qual fazem parte associações como a Almargem ou a Quercus, lembram que retirar água do Guadiana da zona do Pomarão nunca foi uma solução apresentada no Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas (PIAAC)mandado elaborar pelos municípios do Algarve. A porta-voz da PAS lembra que essa solução só apareceu mais tarde, quando o ministro do ambiente apresentou no ano passado outro documento, o Plano Regional de Eficiência Hidrica do Algarve (PREHA).

"É apresentada pelo Carmona Rodrigues como uma solução mais rápida e mais barata", conta Rosa Guedes. Segundo a PAS essa solução "não foi estudada, terá impactos ambientais e precisa que os espanhóis estejam de acordo". "Como é que se pode dizer que é uma solução se não depende só de nós?", questiona. Mas o que é mais grave, considera a Plataforma, é que quem sugere esta solução (o engenheiro Carmona Rodrigues, ex-presidente da câmara de Lisboa) faz parte da comissão de três especialistas independentes que vai avaliar o mesmo Plano.

Quanto às centrais de dessalinização, as associações ambientalistas consideram que é uma solução demasiado cara que irá, mais tarde ou mais cedo, "ao bolso" dos contribuintes.

Os ambientalistas preconizam outros caminhos como a reabilitação da rede pública do Algarve que, segundo garantem, tem perdas de 30% da água no abastecimento público, a melhoria na rega dos espaços públicos, a reutilização de águas e o abandono de culturas agrícolas que gastem demasiados recursos hídricos, como o abacate.

A Plataforma Água Sustentável sugere aos cidadãos que contribuam para a consulta pública do plano de Recuperação e Resiliência até dia 1 de Março e mostrem o seu desagrado sobre estas medidas.

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