"As doenças não escolhem graduação." FENPROF critica critérios de mobilidade por doença

Mário Nogueira diz à TSF que o processo não pode ser uma espécie de concurso e não pode estar dependente das vagas nas escolas.

PorFátima Valente e Rui Oliveira Costa
© André Kosters/Lusa

O secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira, critica os critérios para a mobilidade por doença dos professores. Para o sindicalista, a mobilidade por doença não pode ser uma espécie de concurso, nem pode estar condicionada pela longevidade na carreira ou dependente de vaga nas escolas.

"Num quadro de graduação profissional, ou seja os professores mais antigos e com melhor nota estão à frente e os com pior estão atrás, mas as doenças não escolhem graduação. Portanto, pode acontecer que um professor com uma graduação superior está à frente e consegue a mobilidade e o outro com uma graduação está atrás e já não tem vaga. É a questão de haver aqui um procedimento concursal de deslocar pessoas que precisam de deslocar-se por razões de saúde", refere Mário Nogueira à TSF.

Mário Nogueira diz que "as doenças não escolhem graduação".

Your browser doesn’t support HTML5 audio

Ouvido depois de uma reunião com o Ministério da Educação, Mário Nogueira critica também a proposta do governo, por prever que o professor que peça a mobilidade por doença possa ser colocado numa escola num raio de 50 quilómetros da residência ou do prestador de cuidados de saúde: "Há professores que têm de ser deslocados para as localidades onde vivem, onde são assistidos porque têm problemas musculoesqueléticos e outros que os impedem de fazer viagens. E uma pessoa colocada a 50 km tem de fazer 100 km por dia."

Mário Nogueira à TSF: "Uma pessoa colocada a 50 km tem de fazer 100 km por dia."

Your browser doesn’t support HTML5 audio

Entre as mudanças, o ministério sugere que os professores devem cumprir pelo menos seis horas de componente letiva. Mas o Governo ficou ainda de esclarecer se estas seis horas têm de obrigatoriamente aulas.

"Há pessoas que podem estar nas bibliotecas, a dar apoio a pequenos grupos de alunos. E muito bom apoio que hoje os alunos necessitam de ter, até no plano de recuperação de aprendizagens. É porque é em pequenos grupos que as pessoas podem fazer isso. Estamos a falar de doenças quase incapacitantes. Estamos a falar de doenças graves. Estamos a falar de tratamentos oncológicos. Estamos a falar de insuficiências renais, portanto hemodiálises", alerta Mário Nogueira.

"Estamos a falar de doenças quase incapacitantes."

Your browser doesn’t support HTML5 audio

Mário Nogueira apoia uma maior fiscalização da mobilidade por doença, para evitar abusos, mas defende que é preciso evitar um clima de suspeição sobre os professores.

De acordo com as estimativas da FENPFROP cerca de oito mil professores, ou 7% dos cerca de 120 mil, têm necessidade de recorrer à mobilidade por doença.

Está prevista para quarta-feira nova reunião com o Ministério da Educação, mas Mário Nogueira diz que é preciso mais tempo para as estruturas sindicais analisar as propostas que só conheceram hoje... e sugere o adiamento do encontro para o início da próxima semana.

Relacionados

Veja Também

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG