Detido e libertado eleito pelo Chega em Moura suspeito de disparar contra família sueca

Comunicado da PJ fala de agressão "determinada por ódio racial", advogada do suspeito nega. Há "fortes indícios" de homicídio qualificado na forma tentada, mas o Ministério Público não pediu que o suspeito ficasse detido.

PorGonçalo Teles e Roberto Dores
© Paulo Spranger/Global Imagens (arquivo)

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou este sábado a detenção de um homem, de 53 anos, suspeito de ter efetuado disparos com arma de fogo contra uma família sueca, no concelho de Moura (Beja), "aparentemente por ódio racial" e que, adianta o Diário de Notícias, fez parte da lista do Chega que se candidatou à Junta de Freguesia da Póvoa de S. Miguel.

Nesta freguesia, segundo o portal do Ministério da Administração Interna para as Autárquicas do último mês, o Chega elegeu dois elementos para a autarquia que vai ser liderada pelo PS.

Vítor Ramalho surge no site da Junta de Freguesia de Póvoa de S. Miguel como vogal da Assembleia de Freguesia© https://jf-povoasaomiguel.pt/assembleia/

Um dos eleitos pelo Chega, Vítor Ramalho, que de acordo com o site da junta de freguesia assumiria funções como vogal para os próximos quatro anos, é o suspeito, confirmou a TSF.

A advogada do suspeito, Cristina Costa, que foi também a cabeça de lista do Chega a esta mesma junta de freguesia, contraria a ligação dos disparos a uma situação de crime racial.

"O meu cliente apenas está indiciado por um crime de homicídio qualificado na forma tentada. Nunca, em momento algum, se falou, na origem do processo, num crime de ódio", garante, ouvida pela TSF. "Foi uma situação de trânsito, nada foi dito sobre um crime de ódio, sempre foi um disparo na parte traseira de uma caravana", assegurou.

A advogada admite que Vítor Ramalho, que é o número dois do partido na junta de freguesia e deveria ter sido empossado como vogal, já não venha a tomar posse.

Ouça as declarações de Cristina Costa, entrevistada pelo jornalista Roberto Dores.

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<strong>PJ fala de "ódio racial"</strong>

Em comunicado, a PJ indicou que o suspeito foi detido, por elementos da Diretoria do Sul desta polícia, por existirem "fortes indícios" da prática do crime de homicídio qualificado na forma tentada.

Segundo a PJ, as vítimas são um casal de cidadãos suecos - em que o pai, explica o DN, é de origem africana - e sete filhos menores, com idades entre os 11 anos e três meses, cujo "veículo de passageiros onde seguiam adaptado a caravana" foi "atingido com disparos de arma de fogo".

A agressão, adiantou a Polícia Judiciária, ocorreu na tarde do passado dia 8 de outubro e foi "perpetrada na sequência de contenda ocorrida momentos antes, aparentemente determinada por ódio racial". O DN adianta que a discussão entre os envolvidos estaria "relacionada com questões de imigração e subsídios".

"Após a altercação com o elemento do género masculino do casal, o suspeito perseguiu a viatura onde seguiam as vítimas, executando o crime assim que se mostrou oportunidade", refere a polícia.

De acordo com a PJ, após a agressão, o suspeito "abandonou o local" e esforçou-se por "ocultar das autoridades objetos e veículos utilizados" na sua execução.

Na sequência de "trabalho de investigação", sublinhou, foram "recolhidos relevantes elementos probatórios que conduziram à cabal identificação do suspeito e ditaram a emissão de mandados de detenção fora de flagrante delito".

O detido já foi presente a tribunal para primeiro interrogatório judicial, tendo-lhe sido aplicadas medidas de coação não detentivas. O DN explica que foi o Ministério Público de Moura quem "levou o detido a tribunal sem ter promovido medidas de coação além do Termo de Identidade e Residência".

Notícia atualizada às 20h21

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