Coroa de D. Maria II não está "perdida" mas pode levar anos a voltar para Portugal

O consultor do espólio do futuro Museu do Tesouro Real lamenta que não tenha havido liquidez, por parte do Estado português, para efetivar a compra da coroa que pertenceu à rainha D. Maria II. A peça pode levar anos a voltar para Portugal.

PorCristina Lai Men e Catarina Maldonado Vasconcelos
© Christie's/Direitos Reservados

O historiador Lourenço Correia de Matos lamenta que o Estado português não tenha conseguido segurar a coroa que pertenceu à rainha D. Maria II. O consultor do espólio do futuro Museu do Tesouro Real assume que "é pena que não tenha vindo para Portugal" o objeto de alto valor, depois de o Estado português não o ter conseguido comprar no leilão de quarta-feira.

A coroa de diamantes e safiras foi arrematada por 1.300.000 euros, por um comprador de Londres. Trata-se da tiara mais antiga ligada à Casa Real portuguesa, usada várias vezes por D. Maria II, em meados do século XIX.

Cravejada com 1415 diamantes e cinco safiras azuis, a coroa terá sido herdada por uma das filhas de D. Maria, que a levou para o estrangeiro, quando se casou com o herdeiro do trono da Saxónia.

"É de lamentar que ainda não se tenha conseguido, muito mais agora que se está a concluir o Museu do Tesouro Real, que vai inaugurar brevemente na Ajuda, e é de lamentar que a peça não integre este museu", reconhece Lourenço Correia de Matos, em declarações à TSF.

Para já, diz o consultor do espólio do futuro Museu do Tesouro Real, a peça não deverá fazer parte do acervo do espaço cultural. "Não acredito que alguém que a comprou neste momento e que pagou o valor de martelo, mais as taxas, neste leilão, que a fosse vender amanhã por um valor menor, ou que o Estado português, que não conseguiu reunir dinheiro até ontem, conseguisse amanhã reunir mais do que o dinheiro que não teve ontem."

No entanto, o historiador reconhece que a coroa pode retornar a Portugal, alguns anos volvidos. ​​​​​​"Não é uma peça perdida. Uma peça destas em princípio não se perde, mas, se foi comprada por um particular e integra a coleção dele, pode agora lá ficar mais não sei quantos anos e só voltar a sair quando essa coleção que integra agora for desintegrada."

Ouça a explicação da jornalista Cristina Lai Men.

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O diretor do Palácio Nacional da Ajuda foi um dos licitadores mais empenhados no leilão, mas a oferta de um milhão de euros não chegou para cobrir a licitação mais elevada.

"Com todas as contingências orçamentais permanentes, com que quem está nesses sítios se depara, não me custa acreditar que de facto não tenha havido como comprar", comenta Lourenço Correia de Matos, que não avança com julgamentos de valor. "Não sei se seria possível, se o Estado poderia ter feito mais. Poderia, se calhar, ter tentado fazer mais."

O historiador diz mesmo desconhecer se a ministra da Cultura pediu ao Ministério das Finanças que libertasse a verba. Até ao momento, a reação do Ministério da Cultura foi parca, dizendo apenas que está a acompanhar a situação. Portugal deixou escapar uma peça única no leilão de quarta-feira.

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