"Deixei a casa e animais." O testemunho de quem fugiu do fogo na Serra da Estrela

À TSF, João Pais, um habitante da freguesia de Orjais, conta que teve de abandonar a casa para se proteger do incêndio que ameaça as habitações em várias frentes da Serra da Estrela. Com ele, levou a esposa e o irmão, mas deixou para trás três animais.

PorClara Maria Oliveira com Madalena Ferreira
© Miguel Pereira da Silva/Lusa (arquivo)

A aldeia de Sarzedo, na Covilhã, está deserta após todos os habitantes serem retirados. O destino dos desalojados, desde a tarde desta segunda-feira, é a Escola Básica de Teixoso, que se transformou num centro de acolhimento temporário.

O pavilhão que recebe as populações afetadas dispõe de colchões para descansarem. Aos microfones da TSF, João, de 64 anos, conta que teve de abandonar Orjais, uma das localidades que está vulnerável ao incêndio que atinge a Serra da Estrela, com a esposa, de 62 anos e o irmão, com 60.

O habitante da freguesia da Covilhã tomou a iniciativa de deixar a localidade e o próprio diz: "foi a GNR que me trouxe", quando "o fogo ainda vinha longe".

Quando questionado sobre o que deixou para trás, João não conteve as lágrimas. "Deixei a casa e três animais", relata, e com um irmão com uma deficiência física a seu cargo há mais de 20 anos, não teve dúvidas sobre a decisão a tomar e abandonou a sua habitação.

Sobre os vizinhos, João Pais ainda não sabe nada. Até ao momento, sente-se seguro, mas pensa na casa que deixou para trás e que foi um investimento de toda a sua vida.

No combate ao incêndio na Serra da Estrela, que esta terça-feira envolve mais de 1400 operacionais, 331 meios terrestres e 14 meios aéreos, já se registaram três feridos graves e uma casa ardida.

As condições meteorológicas previstas para a tarde desta terça-feira, com vento forte e baixa humidade relativa do ar, são desfavoráveis.

Ouça a reportagem de Madalena Ferreira em Teixoso, na Covilhã

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"Houve três ignições em simultâneo, pode ter sido ou não um reacendimento, vai ser apurado. Tudo o que é maquinaria e recursos disponíveis estão a ser aplicados. Garantiu-se a integridade física dos civis e combatentes e minimizou-se o património afetado. Contudo, hoje vai ser um dia muito complicado para garantir que o incêndio não cresça. Necessitamos de continuar nestas manobras de estabilização", alertou o comandante.

Sobre os sete bombeiros que ficaram incontactáveis na segunda-feira, o responsável esclareceu que tudo se tratou de "uma operação normal."

"Os operacionais estavam na operação de combate e durante a ação poderão não ter tido contacto direto com quem estava no comando do grupo. É uma operação normal dentro daquilo que os bombeiros fazem. Terminado o que estavam a fazer voltaram a reagrupar-se. É uma operação normal dentro daquilo que são as operações de combate", garantiu.

O presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, afirmou que o fogo na Serra da Estrela abrandou no seu território. O autarca, que na segunda-feira à noite se mostrava desesperado, está esta terça-feira de manhã um pouco mais tranquilo, mas sublinha que as cautelas são para manter porque o perigo ainda não passou.

"No concelho da Guarda, neste momento, essas frentes com chamas enormes, gigantescas, já não existem. Apenas algumas ações de consolidação dos perímetros, é isso que está a ser feito no nosso concelho. Neste momento não há populações em risco, mas não podemos dizer que o perigo já passou, de todo. Com o chegar do dia e aumento das temperaturas é preciso ter muita cautela e atenção porque tudo pode acontecer", revelou à TSF Sérgio Costa.

A reativação que se verificou segunda-feira do incêndio na Serra da Estrela teve origem em "três ignições em simultâneo no Vale da Amoreira", em Manteigas, distrito da Guarda, "com expansão para os concelhos da Covilhã [distrito de Castelo Branco] e da Guarda", adiantou André Fernandes.

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