Covid-19: "É ilusório acreditar que no novo ano letivo não vai ser necessária nenhuma medida"

Presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública considera que a Direção-Geral da Saúde e o Ministério da Educação já deveriam ter dado indicações às escolas.

PorMiguel Laia com Cátia Carmo
© Telmo Pinto / Global Imagens

O Governo decidiu que, para já, não é preciso adotar medidas específicas por causa da Covid-19 nas escolas, mas a Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANSMP) defende que no próximo ano letivo fará sentido.

"Neste momento, com a realidade epidemiológica portuguesa, não há necessidade de termos medidas específicas de combate à pandemia em vigor nas escolas porque a situação é bastante tranquila nesta fase. Portanto, é normal que a escola inicie sem nenhuma medida específica de combate à pandemia, a não ser os gerais que todos temos no dia a dia: lavar as mãos, ventilar os espaços e não ir à escola se estivermos doentes. Tudo de responsabilidade individual. No entanto, pensamos que é ilusório acreditar que durante todo o ano letivo não vai ser necessário implementar nenhuma medida de combate à pandemia, nomeadamente quando, durante os meses de inverno, tivermos uma provável nova onda de Covid", explicou à TSF Gustavo Tato Borges, presidente da ANSMP.

Ouça as declarações de Gustavo Tato Borges à TSF

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Nesse sentido, o responsável considera que a Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Ministério da Educação já deveriam ter dado indicações às escolas para que cada uma pudesse criar planos de contingência quando, por exemplo, houvesse um surto de Covid-19, mas cada escola também já o pode fazer por sua iniciativa.

"Mais do que dizermos que agora as escolas não vão ter medidas era importante que cada escola tivesse um plano de contingência que previsse níveis de risco em que tivesse de assumir determinadas medidas. Se está tudo bem, não há medidas nenhumas. Quando começar a aumentar a incidência e outros indicadores, prever o regresso das máscaras, horários desfasados e se estiver muita gente internada vamos para telescola", sugeriu Gustavo Tato Borges.

O Ministério da Educação sublinhou ao jornal Público, esta segunda-feira, que cabe a cada um cumprir as medidas para prevenir o contágio e infeção por SARS-CoV-2 e que, nos casos de suspeita ou confirmação, deve proceder-se segundo a atual normal da DGS. Agora, Gustavo Tato Borges antecipa que, com a aproximação do inverno, aumentem os casos e mortes por Covid-19, mas reconhece que o inverno pode ser mais tranquilo por causa da quantidade de portugueses vacinados.

"Portugal tem uma boa cobertura vacinal. Não deverão aparecer por 'nossa culpa', dada a nossa condição epidemiológica, novas variantes, mas o mundo está em constante comunicação e pode, de facto, aparecer uma nova variante. Vão existir, em princípio, mais casos no nosso inverno, essa é uma realidade quase certa. Aqui a questão é: não existindo uma nova variante e com a vacinação que vai acontecer para os mais vulneráveis em setembro com uma vacina, em princípio, já adaptada à variante Ómicron, poderemos ter um inverno bastante tranquilo e isso poderá trazer-nos um ano escolar sem grande preocupação", acrescentou o especialista.

E, por isso, Gustavo Tato Borges afirma que o uso da máscara deverá ser obrigatório em alguns espaços como lares de idosos e nos transportes públicos. Só depois do inverno se deverá reavaliar essa medida.

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