"É inaceitável." Largo Camões palco de ação de solidariedade com mulheres do Irão

Têm-se multiplicado as manifestações em várias cidades do Irão e no resto do mundo.

PorRúben de Matos com Cátia Carmo

Mais de uma centena de pessoas reuniram-se esta segunda-feira no Largo Camões, em Lisboa, numa ação de solidariedade para com as mulheres do Irão|

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Lisboa também quis ser uma das vozes de protesto na onda de solidariedade para com as mulheres e restantes oprimidos no Irão. No Largo Camões, esta segunda-feira, reúnem-se mais de cem pessoas. Uma ação despoletada, em concreto, pelo caso de Mahsa Amini, a rapariga de 22 anos, oriunda do Curdistão, que foi morta pela polícia da moralidade por não estar a usar lenço na cabeça.

Depois de se ter sabido desta morte têm-se multiplicado manifestações em várias cidades do Irão e uma Organização Não Governamental nórdica já afirmou há pelo menos 76 vítimas mortais na sequência dos protestos.

Pela capital portuguesa há homens e mulheres. Rita Justino é uma delas. Veio com o marido, Joffre, e não consegue compreender como é que no Irão ainda se perseguem mulheres por questões religiosas.

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"Em 2022 ainda estão a derramar o sangue das mulheres", desabafou Rita Justino à TSF.

O marido, Joffre, explica que se juntou à manifestação no Largo Camões porque é contra o sistema totalitário, a violência contra as mulheres e defende a liberdade para todas as pessoas no geral.

"Na verdade é por essas razões que estou aqui. É inaceitável que no século XXI ainda se obrigue uma pessoa, neste caso uma mulher, a ter de usar um certo tipo de roupa e a tapar os cabelos", condena Joffre Justino.

Entre os manifestantes está também Sahar, uma iraniana que sabe o que é ser presa no Irão. Pela mão traz um cartaz que diz: "A República do Irão está a mater-nos." À TSF conta porque abandonou o país.

"Infelizmente a lei do Irão está sempre contra as mulheres. Não há condições na prisão, têm de ficar de pé. Quando têm sono vêm bater para acordarem, não podem ir à casa de banho ou tomar banho durante três ou quatro dias. Sempre gostei da minha terra, sempre tive trabalho, vivia lá, mas a lei não me dava direito para me divorciar ou ficar com o meu filho, se tivesse. Não tinha condições para escolher e foi por isso que escolhi vir para onde tivesse liberdade para constituir família. Tenho irmãos e tias lá, mas neste momento não conseguimos falar. O WhatsApp está filtrado e o Telegram só por VPN, mas nem sempre dá. Agora não consigo mesmo falar com eles", contou Sahar.

Já Fahadh, que nasceu no Irão, viveu muitos anos no Brasil e atualmente está em Portugal, quer divulgar a mensagem da fé bahá'í, que surgiu no Irão em 1844 e tem como lema a igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres.

"É uma religião que tem como objetivo a unidade da raça humana em todos os povos, religiões e credos e prega pela unidade de toda a humanidade. Como bahá'ís, acreditamos que as mulheres e os homens são como as duas asas de uma ave e se essas duas asas não estiverem desenvolvidas, a humanidade, como um todo, não consegue levantar voo", acrescentou o iraniano.

A polícia da moralidade, no Irão, é responsável por fazer cumprir o rígido código de vestuário no país, onde as mulheres devem cobrir os seus cabelos e não é permitido usar roupas curtas ou apertadas, entre outras proibições. A jovem Mahsa Amini morreu a 16 de setembro no hospital, data em que começaram os protestos no país.

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