"Em Portugal consumimos dois Alquevas." País perdeu 20% da disponibilidade de água em duas décadas

No final do século, o Algarve terá metade da água que hoje tem disponível, isto porque os gastos em Portugal são demasiado elevados, alertam os investigadores.

PorDora Pires e Catarina Maldonado Vasconcelos
© LUSA

"Imaginem o quão grave isto é." O exercício é sugerido pelo investigador Rodrigo Proença Carvalho, cujo estudo demonstra porque a água será cada vez mais um recurso precioso. "No final do século, o nosso território vai experimentar, de acordo com as nossas melhores projeções, mais cerca de três secas por década, ou seja, atualmente, nós temos uma ou 1,2 secas por década em Portugal, e as projeções apontam-nos para quatro, quase cinco secas em algumas áreas do nosso território, por década."

O investigador deixa vários alertas.

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No final do século, o Algarve terá metade da água que hoje tem disponível, e que já não está em níveis que possam tranquilizar os especialistas. Um dos dados deste estudo sobre a água em Portugal, em cujas conclusões se recomenda cautela na gestão das reservas atuais, é de que Portugal perdeu 20% da disponibilidade dos recursos hídricos nas últimas décadas. O futuro será pior, já que os rios da região algarvia possuirão menos 49% de água no fim deste século.

São dados do primeiro estudo nacional que traça a origem e o destino de toda a água no país. A par do impacto das alterações climáticas, o documento também revela que os portugueses estão a gastar demasiada água. "Sabemos que em Portugal consumimos dois Alquevas, isto é, qualquer coisa como seis mil hectómetros cúbicos", revela Pimenta Machado, vice-presidente da Agência Portuguesa do Ambiente. Nestes gastos, a agricultura tem um peso de 70%.

Ouça as declarações de Pimenta Machado.

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"Sempre que há uma seca, há um aumento do pedido de captações de água. Recebemos em média 20 mil pedidos de captação de água, isto não pode continuar assim, seguramente." Pimenta Machado também critica que "os setores continuem a apostar na oferta e menos na eficiência da procura".

Com as secas, aumenta também o risco de incêndio, alerta o estudo. Este ciclo vicioso deverá agravar-se, e, por isso, resta aos consumidores tomar medidas como poupar e usar a água de forma eficiente, mas também reutilizar, sempre que possível, e até recorrer à água do mar, dessalinizar, para posterior consumo.

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