Há cada vez mais casos de síndrome pós-Covid em crianças

Rara mas grave, a síndrome inflamatória multissistémica atinge vários órgãos e pode deixar cicatrizes, especialmente no coração.

PorCristina Lai Men
© Adelino Meireles/Global Imagens

A síndrome inflamatória multissistémica em crianças disparou nos primeiros meses do ano. Trata-se de um quadro clínico novo que afeta quem esteve infetado com Covid-19. É o que adianta esta segunda-feira o Jornal de Notícias.

Apesar de ser muito rara, 83 crianças e jovens foram diagnosticados com esta síndrome grave, em apenas três hospitais. No hospital D. Estefânia, foram 47 casos, e, entre as crianças diagnosticadas, a média de idades foi de sete anos. Quase 30% destes doentes precisaram de ser ventilados ou de suporte cardíaco, nos cuidados intensivos.

Já no Hospital de São João, no Porto, onde foram registados 20 casos, mais de metade das crianças esteve também nos cuidados intensivos.

No Hospital Santa Maria, em Lisboa, houve 16 casos desde o início da pandemia.

Só em março, cinco crianças apresentaram sintomas num intervalo de dez dias.

Os sintomas passam por febre alta, vómitos, diarreia e dor abdominal, como se se tratasse de uma apendicite ou gastroenterite.

Aparecem entre quatro a seis semanas depois do pico da infeção pelo SARS-CoV-2, mas, em muitos casos, as crianças nem sabem que tiveram Covid-19.

A síndrome inflamatória atinge vários órgãos e pode deixar cicatrizes, em especial no coração. No hospital Dona Estefânia, mais de 93% dos doentes ficaram com miocardite. Todos sobreviveram, mas algumas crianças apresentam alterações nos exames cardíacos ou respiratórios.

Não se sabe se serão alterações transitórias ou permanentes, mas, pelo menos durante seis meses, as crianças não podem fazer exercício físico.

Maria João Brito elenca os órgãos mais afetados.

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A maior parte das crianças tem problemas cardíacos, perde muita massa muscular, e uma percentagem muito significativa é também atingida por consequências ao nível gastrointestinal. Há outros órgãos que podem ser atingidos em menor grau, como é o caso dos rins e o sistema nervoso central. É Maria João Brito, responsável da unidade de infecciologia do Dona Estefânia, que o explica. Em declarações à TSF, a representante do hospital alerta que "depois o coração tem de ser muito bem vigiado".

"Só podemos falar de sequelas ao fim de seis meses ou de um ano. Os que ficam com cicatrizes não podem fazer desporto, mas ainda não sabemos como vão estar ao fim de um ano. Ainda não temos conhecimento suficiente da evolução da doença para sabermos o que vai acontecer."

A responsável da unidade de infecciologia do Dona Estefânia garante que todas as crianças a quem tenha sido diagnosticada a síndrome inflamatória multissistémica estão a ser seguidas e vigiadas. "Temos protocolos de seguimento com outros serviços do centro hospitalar", vinca. O acompanhamento é feito, com a medicina de reabilitação, tendo em conta a recuperação da massa muscular perdida mas "também a parte cardíaca" e respiratória.

"Não podem fazer fisioterapia num sítio qualquer. Tem de ser um centro especializado." São realizadas provas para análise da função respiratória, bem como acompanhamento psicológico. "Quando são jovens, na maior parte das vezes, recuperam", tranquiliza Maria João Brito.

A responsável do serviço de infecciologia explica o que é feito no seguimento dos doentes.

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