Portugal não pode deixar o seu papel de relevo no Atlântico por "inação ou incapacidades nacionais"

O aviso de Gouveia e Melo foi feito no encerramento das comemorações do Dia da Marinha, em Faro.

PorMaria Augusta Casaca

Perante a parada militar, com a ministra da defesa a ouvi-lo, o Chefe de Estado-maior da Armada deixou a convicção de que a posição e a dimensão do espaço marítimo sob jurisdição nacional é "crucial" para a liberdade de ação do mundo ocidental.

"Tendo presente este enquadramento e potenciais vazios de poder que possam resultar da inação ou incapacidades nacionais, poder-se-á dizer que Portugal está num dilema", afirmou Henrique Gouveia e Melo. E acrescentou: "Ou assume um papel de relevo nos assuntos marítimo-navais na sua região, ou ver-se-á substituído, nesse papel, por outros atores, perdendo certamente a importância geoestratégica que ainda goza", concluiu.

No discurso que marcou o final das comemorações do Dia da Marinha, que este ano se realizaram em Faro, Gouveia e Melo afirmou ser para si "uma evidência que um Portugal marítimo capaz, será mais forte na cena internacional".

Ouça aqui a reportagem no Dia da Marinha, em Faro

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A ministra da Defesa respondeu com a mesma certeza: a de que, num mundo onde o comércio marítimo tem tanta importância, Portugal assume uma posição estratégica para um uso livre do mar. "Estamos conscientes que a própria conjuntura internacional tem gerado um aumento significativo das solicitações para o emprego das Forças Armadas em cenários novos e diferentes, com reflexos ao nível das capacidades, da flexibilidade do seu emprego, da interoperabilidade, e da prontidão operacional", afirmou Helena Carreiras.

"A participação da Marinha em Forças Nacionais Destacadas, desde o Círculo Polar Ártico ao Atlântico, do Mar Mediterrâneo ao Oceano Índico, tem permitido demonstrar de forma inequívoca o nosso empenho na segurança coletiva, visando a estabilidade do flanco Sul e a defesa de uma fronteira avançada da Europa."

Helena Carreiras considera, no entanto, que só reforçando e valorizando os recursos humanos na Marinha será possível levar a cabo estas missões. Aos cerca de 1.200 militares presentes, a ministra lembrou que "foi possível autorizar, em colaboração com o Ministério das Finanças, as promoções anuais que estavam há uma década a ser sistematicamente empurradas para o final do ano, e que irão abranger quase 5.800 militares".

"Teremos também de encetar todos os esforços para conseguirmos avançar na implementação do Plano de Ação para a Profissionalização do Serviço Militar e do Plano Setorial da Defesa Nacional para a Igualdade, e podermos assim recrutar as melhores pessoas, retê-las condignamente e assegurar que têm os instrumentos para uma bem sucedida transição posterior para a vida civil", adiantou.

As comemorações do Dia da Marinha, depois de dois anos sem se realizarem devido à pandemia, ocorreram pela primeira vez na cidade de Faro.

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