Vistos de trabalho para cidadãos da CPLP em vigor. Mas sem meios não há "avalanche" de mão de obra

Acácio Pereira aponta a falha ao Ministério dos Negócios Estrangeiros que não reforçou os consulados nestes países.

PorDora Pires com Maria Augusta Casaca*
© Jorge Amaral/Global Imagens (arquivo)

Entrou esta segunda-feira em vigor a nova lei que abre a porta aos cidadãos dos outros oito países de língua oficial portuguesa que queiram trabalhar em Portugal.
Criado especificamente para esse propósito, o visto não tem de ser pedido presencialmente, é concedido de forma quase automática e tem uma validade de seis meses.

Para aceder ao visto já não é preciso ter bilhete de regresso, nem seguro de viagem para cobrir despesas de saúde, nem mesmo provas de que a pessoa tem meios de subsistência.

É uma espécie de via verde a trabalhadores da CPLP, mas à TSF, Acácio Pereira, do Sindicato dos Trabalhadores do SEF, avisa que tão cedo não vale a pena contar com esta mão de obra, até porque há dificuldades na emissão destes vistos no ponto de origem. "As pessoas que se desenganem porque não vai haver, no imediato, uma avalanche, nem um desbloqueio dessa situação" alerta.

"O processo em si não vai trazer grandes mudanças. As mudanças surgirão se os consulados tiverem a capacidade para emitir vistos que, neste momento, não têm têm". "Vamos continuar com a mesma situação. Não vai haver alterações substanciais a partir de 26 de setembro", acrescenta.

Acácio Pereira não antevê uma "avalanche" de pedidos de asilo

Your browser doesn’t support HTML5 audio

Acácio Pereira aponta a falha ao Ministério dos Negócios Estrangeiros que não reforçou os consulados nestes países. Quanto às questões de segurança com esta porta aberta com tão poucas exigências, garante que haverá controlos à entrada.

Outro problema que se coloca é o controlo das pessoas que cá chegam e que não conseguem efetivamente arranjar trabalho. Nessa fase, "tem de haver um acompanhamento dos movimentos e das rotas migratórias, [como] em qualquer Estado da União Europeia (UE)".

Controlo e fiscalização à entrada de cidadãos vão continuar a ser feitos.

Your browser doesn’t support HTML5 audio

À TSF, Lídia Silva, da associação cabo-verdiana Esperança e Paz, conta as dificuldades que amigos e familiares sentem para obter um visto para vir para Portugal. "Demoram muito tempo (...) Tenho um sobrinho desempregado que quer vir (...) Pedem tanto documento aqui", relata.

Lídia Silva relata as dificuldades em obter visto para vir para Portugal.

Your browser doesn’t support HTML5 audio

Exceto quem tenha ordem de expulsão ou quem esteja proibido de circular no espaço Schengen, todos os cidadãos da CPLP devem ter acesso imediato a visto para procurar trabalho em Portugal.

A lei pretende responder à falta de mão de obra que se vive em vários setores, desde a agricultura, à construção civil passando pelo comércio e hotelaria.

*Com Melissa Lopes

Relacionados

Veja Também

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG