Zero lança campanha sobre reutilização de embalagens no "take-away"

O projeto da Zero, chamado "Take It", "pretende sensibilizar os estabelecimentos de restauração e a sociedade civil para o direito dos cidadãos e cidadãs a transportarem refeições prontas em recipientes reutilizáveis".

PorTSF com Lusa
© Pixabay

A associação ambientalista Zero lançou este domingo um projeto para promover a reutilização de embalagens nos serviços de pronto-a-comer (take-away), que inclui uma campanha e formação gratuita para os restaurantes.

A iniciativa, com o apoio do Fundo Ambiental e com a colaboração de outras organizações não governamentais ligadas ao ambiente, baseia-se no direito que os cidadãos têm de usarem os seus recipientes nos serviços de pronto-a-comer.

Em comunicado, a Zero lembra que esse direito existe desde 01 de julho. O decreto-lei 102D/2020 diz que os estabelecimentos que forneçam refeições prontas a consumir em regime de pronto-a-comer são obrigados a aceitar que os seus clientes utilizem os seus próprios recipientes, devendo comunicar de forma clara essa possibilidade, fornecendo a informação necessária.

O projeto da Zero, chamado "Take It", destina-se a divulgar esse direito e apoiar os restaurantes no apelo para que os clientes adiram à nova prática.

O "Take It" "pretende sensibilizar os estabelecimentos de restauração e a sociedade civil para o direito dos cidadãos e cidadãs a transportarem refeições prontas em recipientes reutilizáveis através de uma campanha de sensibilização", refere o comunicado.

Pretende-se, diz a organização, levar as empresas de restauração a promover a iniciativa, sendo que os que o fizerem terão acesso a materiais de comunicação gratuitos que poderão usar nas suas instalações, para sensibilizar os seus clientes.

Susana Fonseca, da associação ambientalista Zero, recorda as alterações climáticas, explicando, em declarações à TSF, que "quando estamos a produzir resíduos, também estamos a contribuir para as alterações climáticas". Isto porque "houve energia que foi colocada para a exploração daqueles recursos, para a transformação naqueles recipientes e depois vai ser mais energia gasta para o tratamento daqueles resíduos".

"Se nós pudermos levar os nossos e não utilizar estes recipientes descartáveis, também vamos estar a ajudar a reduzir as alterações climáticas. É importante que as pessoas comecem a fazer a ligação entre as suas ações quotidianas e aqueles problemas ambientais de que ouvem falar e em relação aos quais mostram estar preocupadas e perceberem que também podem fazer alguma coisa", afirma.

Ouça as declarações de Susana Fonseca à TSF

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Há três meses que quem vai a um restaurante tem o direito de levar os recipientes de casa, mas muitos clientes não conhecem a lei.

"Muitas pessoas ainda não sabem, muitos estabelecimentos ainda não sabem, a própria lei refere que os estabelecimentos devem ativamente informar os seus clientes e aquilo que fizemos foi preparar um projeto em que preparamos materiais para que os restaurantes possam ter essa informação disponível e visível e gratuitamente para que os clientes saibam que já têm este novo direito", esclarece.

Susana Fonseca explica em que consiste o projeto da Zero

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No comunicado, a organização ambientalista assinala que a produção de resíduos per capita tem vindo a aumentar, tendo sido de 511 quilos por pessoa em 2020, representando as embalagens cerca de 26% do total de resíduos urbanos produzidos anualmente, cerca de 130 quilos por pessoa.

E afiança que promover a reutilização em áreas como o pronto-a-comer/takeaway vai permitir aos estabelecimentos de restauração e similares reduzir custos.

Nas contas da Zero, se cada recipiente descartável custar 20 cêntimos e 10 clientes por dia trouxerem recipientes reutilizáveis, a poupança anual será de 720 euros.

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