"Anestesia" perante a morte. Stress emocional pode explicar indiferença à Covid

O padre Anselmo Borges afirma que há muita gente a debater-se com a angústia da morte acabando por adotar comportamentos de risco, uma vez que "estão anestesiadas devido a este stress emocional".

Em tempos de pandemia, o teólogo Anselmo Borges considera que é cada vez mais difícil digerir a mortalidade provocada pela Covid-19 e aponta, em entrevista à TSF, vários fatores que podem explicar alguma indiferença dos portugueses face ao crescente número de mortes devido ao coronavírus.

"As pessoas estão muito traumatizadas dado o inesperado desta pandemia. Temos várias vivências. Uma delas é que, afinal, somos mesmo interdependentes, dependemos uns dos outros. Depois, não somos omnipotentes. Nós pensávamos que éramos omnipotentes concretamente através das ciências e da técnica e afinal dominamos muito menos do que pensamos. Por outro lado, tomamos consciência de que somos mortais. Devido a esta visita terrível da morte há muita gente que não pôde sequer fazer o luto. Todos os dias nós somos bombardeados com notícias terríveis de centenas de morte e as pessoas podem chegar a um stress emocional tal que já não têm capacidade de digerir esses números e o significado da morte", sustenta.

O padre Anselmo Borges afirma que há muita gente a debater-se com a angústia da morte acabando por adotar comportamentos de risco, uma vez que "estão anestesiadas devido a este stress emocional".

Anselmo Borges considera que as paróquias podem fazer mais para aliviar a angústia dos portugueses: "As paróquias também podiam ajudar um pouco através de um telefone para o qual do outro lado estariam pessoas competentes para acolher pessoas com angústia e com este stress e receber um pouco de esperança e de conforto."

O teólogo critica ainda a aprovação da legalização da eutanásia pelo parlamento em pleno pico da pandemia no país.

"Este corpo é um corpo para gozar, para ter prazer. Quando já não houver prazer, pedimos a eutanásia. Eu acho um despudor, independentemente daquilo que pensemos sobre a eutanásia, vir com a eutanásia exatamente neste contexto", remata.

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