Antes fazia 60 quilómetros para ter medicamentos, agora vai ao fim da rua

A partir desta sexta-feira, os utentes do Hospital de São João, no Porto, portadores de cancro da mama ou esclerose múltipla podem levantar a medicação numa farmácia perto da sua residência. É a segunda fase do projeto Farma2Care, que começou em 2019, com doentes com infeção por VIH/Sida.

Mil e quinhentos doentes do Hospital de São João têm, a partir desta sexta-feira, a vida um pouco mais facilitada. Esta unidade decidiu incluir os pacientes com cancro da mama e esclerose múltipla no projecto Farma2Care.

Na prática, os medicamentos que até agora só eram fornecidos na farmácia hospitalar podem ser recolhidos numa farmácia perto de casa. Carlos Lima Alves, infecciologista e coordenador do projeto, garante que os ganhos são muitos. "estando numa situação estabilizada, os pacientes que só vêm ao hospital para uma consulta uma ou duas vezes por ano, não precisam devir cá só para levantar a sua medicação todos os meses". Agora, os medicamentos ficam disponíveis numa farmácia comunitária, sem custo para os doentes e sem necessidade de virem ao hospital.

O Hospital de São João vai controlar o processo de cada doente, à distância, de forma a garantir que não existem falhas na toma da medicação.

"É muito mais fácil"

Maria Enes é uma das beneficiárias deste projeto. Ir ao hospital para recolher medicação, todos os meses, foi uma rotina na sua vida durante muito tempo. Há seis anos descobriu que tinha cancro da mama. Já em fase de remissão, as viagens até ao S. João, no Porto passaram a ser trimestrais. A partir de hoje, vai ao fim da rua, em Vila do Conde, onde mora. "É muito mais fácil. Agora demoro um ou dois minutos para ir à farmácia. Antes perdia tempo na viagem e no hospital onde chegava a esperar uma hora para ser atendida."

Para Maria Enes, a viagem de ida e volta era de 60 quilómetros, mas há muitos casos em que a distância é muito superior: "Há muitas pessoas que vêm de longe. Vêm de toda a região Norte, do interior e têm de vir de ambulância, ou de táxi."

O projeto Farma2Care resulta de uma parceria com a Ordem dos Farmacêuticos, a Associação Nacional de Farmácias e a Associação de Distribuidores Farmacêuticos.

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