ANTROP tenta com Governo evitar "colapso" dos operadores de transportes

Vice-presidente da ANTROP garantiu que o tema está "em cima da mesa e a ser trabalhado".

A Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros (ANTROP) garantiu esta segunda-feira que tem "dialogado" com o Governo sobre medidas que "permitam evitar o colapso financeiro dos operadores" e também "prejuízos maiores aos utentes".

Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente da ANTROP, Eduardo Caramalho, garantiu que o tema está "em cima da mesa e a ser trabalhado", aplaudindo operadores privados que "mesmo com os utentes a viajarem sem pagar, têm feito um esforço enorme para assegurar o mínimo de transportes possível".

"A ANTROP tem dialogado com o Governo e com as autoridades, está preocupada, atenta e está a tentar junto do Governo encontrar formas para financiar o mínimo de transportes possível", disse Eduardo Caramalho.

O responsável não quis adiantar que medidas podem vir a ser tomadas, mas o ponto 5 do comunicado do Conselho de Ministros de 02 de abril refere que foram aprovados "procedimentos de atribuição de financiamento e compensações aos operadores de transportes essenciais, no âmbito da pandemia Covid-19".

"Considerando as medidas adotadas para limitar a circulação de meios de transporte coletivos no sentido de preservar a saúde pública e garantir a segurança de utilizadores e trabalhadores, com impactos diretos na redução das receitas das operadoras de transporte público, justifica-se o desenvolvimento de mecanismos que promovam a sustentabilidade daquelas empresas e permitam a manutenção do serviço público de passageiros em níveis que permitam satisfazer necessidades mínimas de mobilidade", referia o comunicado da tutela.

No domingo o PCP/Porto, em nota enviada à Lusa, denunciou a "redução para lá do aceitável" do serviço de transportes, num quadro de "profundas alterações e necessidades" devido à pandemia Covid-19 e pediu a intervenção das autarquias e autoridades locais.

Os comunistas reconheciam que o estado de emergência decretado no país gerou quebra de procura, mas sublinhavam que "o país não parou" e que "continuam a funcionar inúmeros serviços essenciais e mantêm atividade várias empresas", apresentando exemplos de empresas que teriam diminuído os seus serviços.

Uma delas era a Maia Transportes que, segundo a nota do PCP, teria cancelado três carreiras, reduzido as restantes a poucos serviços diários e suspendido todos os serviços ao sábado e domingo.

A agência Lusa contactou esta empresa de transportes, a qual referiu, via mensagem escrita, que "foram canceladas três carreiras, cujo percurso se encontra serviço quase na sua totalidade por carreiras destra empresa ou de empresas congéneres".

A mesma empresa apontou que "existiu uma redução de cerca de 60% da oferta" e que "apenas os serviços de domingo foram suspensos", estando "a operação de sábado em normal funcionamento".

"Verificou-se uma redução drástica do número de utilizadores logo a partir dos primeiros dias do estado de emergência, o que a juntar ao facto das empresas estarem privadas das receitas resultantes das validações a bordo (?). Esta redução foi acompanhada pelos restantes operadores públicos e privados da AMP. Desconheço com pormenor a realidade no resto do país, mas creio que existe uma redução generalizada nos serviços públicos de transportes, pelos mesmo motivos acima referidos", apontou a Maia Transportes.

Também a Transportes Gondomarense era citada na nota por ter, de acordo com o PCP, cancelado oito carreiras e reduzido a frequência e percursos nas restantes, bem como por ter suspendido todos os serviços noturnos e anunciado o recurso ao lay-off.

À Lusa, fonte da Transportes Gondomarense confirmou a adesão ao lay-off apontando para um quadro que poderá envolver cerca de 90 funcionários.

Já em resposta escrita, a empresa fala do "tormento" que significa "para todos, incluindo operadores de transportes públicos" a pandemia Covid-19 que têm sido "confrontados com o reduzidíssimo número de passageiros".

"Em consequência, a oferta de transportes que até ali se disponibilizava às populações, tornou-se insustentável para esta e para todas as outra empresas privadas de transporte público. De imediato, face à situação corrente, informamos a Câmara de Gondomar e articulamos com a AMP [Autoridade Metropolitana de Transportes], a alteração da oferta de transportes, a qual foi publicitada e divulgada. Passamos a efetuar os serviços mínimos, mas, com o cuidado de abrangermos toda a área concessionada, seja na alteração dos nossos serviços, seja na ligação a outros operadores (STCP, Metro, CP), por forma a que, ainda que mínimos, a população tenha alternativas para a sua mobilidade", refere a resposta da Gondomarense.

A nota dos comunistas citava, ainda, outras empresas privadas, igualmente contactadas pela Lusa, mas até ao momento sem sucesso na resposta.

O PCP/Porto referia também que a Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) promoveu uma redução da oferta nas suas várias carreiras, mas hoje, também em comunicado, foi revelado que os ajustes no serviço da STCP incluem o "reforço de algumas linhas" para "preencher o deficit criado pelo desaparecimento de linhas de outros operadores".

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