"Ao fim de dois anos acho que vale a pena ser até às 8 ou 9 da manhã"

As discotecas podem voltar a abrir portas a partir desta sexta-feira. Estiveram 18 meses encerradas, mas nem todos os espaços de diversão noturna vão reabrir. Clientes e empresários estão expectantes quanto ao regresso às pistas de dança.

No Ice Club, em Viseu, está tudo a postos para o regresso às pistas de dança já esta noite. As portas da discoteca vão abrir para uma festa de boas-vindas. O mesmo vai acontecer no NB Coimbra, duas das cinco discotecas do grupo Noite Biba.

Dois espaços de diversão noturna da empresa na cidade de Viriato e outro na Figueira da Foz vão permanecer encerrados.

"Carecem de remodelação porque com este tempo todo fechados ficaram deteriorados. Há muitos materiais, tanto ao nível informático como de segurança, danificados e vamos necessitar de obras porque muitos materiais apodreceram, ficaram cheios de bolor", explica Olavo Sousa, dono do grupo Noite Biba.</p>

O empresário conta abrir as casas que faltam "antes do final do ano", mas vinca que isso depende de eventuais retrocessos nas medidas governamentais, das ajudas financeiras que possam existir e da forma como vai decorrer a reabertura dos espaços que agora voltam a funcionar.

Os últimos 18 meses em que as discotecas estiveram encerradas cifraram-se em centenas de milhares de euros de prejuízos.

"Se lhe disser que temos cerca de 45 mil euros de rendas mensais e em que a ajuda máxima que o Governo deu por empresa foi 40 mil, se calhar diz alguma coisa", afirma Olavo Sousa, acrescentando ser "fundamental que o Governo dê os apoios para os meses" em que os espaços de diversão noturna estiveram encerrados e que ainda não chegaram.

"É fundamental que dê apoios às rendas ou cedência de exploração e que o Governo encontre linhas de financiamento porque a banca tem a porta completamente encerrada para os nossos setores", lamenta.

Olavo Sousa não esconde que ponderou "várias vezes" fechar portas. Para manter a sua empresa em atividade teve que recorrer "a outros expedientes" e à família para se "manter à tona".

"Sempre tive esperança que este dia chegasse. Tenho muito dinheiro investido, muito investimento feito nestes estabelecimentos, encerrá-los era mandar uma vida inteira de trabalho para o caixote do lixo", vinca.

O regresso do mundo da noite traz ansiedade para quem trabalha no setor, mas também alguma apreensão.

"Vamos aguardar porque depois de 18 meses nós também não sabemos se houve a criação de novos hábitos. [Vamos ver] como é que vai ser a reação dos clientes neste tipo de espaço", defende Olavo Sousa.>

Entre os jovens a expectativa é muita. Vasco Fernandes classifica como "triste" o encerramento das discotecas, que agora, "graças a Deus", voltam a abrir portas.

"Sexta-feira estou lá batido. Até de manhã. Ao fim de dois anos acho que vale a pena ser até às 8, 9 da manhã", refere.

Quem também tem saudades de sair até tarde é Bernardo Pereira, que salienta que os mais novos necessitam deste tipo de divertimento.

"O pessoal precisa de sair à vontade, de se divertir. Tivemos muito tempo presos em casa", argumenta.

Ana Lopes também não vai faltar às festas de reabertura das discotecas. "Há que voltar à rotina, sinto bastantes saudades", confessa.

Carolina Pereira está mais cautelosa. Prefere nestes primeiros tempos evitar confusões. "Prefiro ir só quando o pessoal se fartar e tudo estiver mais tranquilo e seguro. Vai ser estranho dançar sem máscara, já não sabemos o que é viver sem máscara", aponta.

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