Aprovado o primeiro curso de Medicina numa universidade privada. Vai ser na Católica

Foi Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica Portuguesa, que o anunciou: a instituição será a primeira universidade privada a acolher um curso próprio de Medicina.

A Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior acreditou o curso de Medicina da Medicina da Universidade Católica Portuguesa, de acordo com a reitora da instituição de ensino. Isabel Capeloa Gil anunciou na rede social Twitter que se trata de um "grande dia para o Ensino Superior e para o sistema científico nacional", depois do chumbo que a Católica tinha recebido há um ano.

A Universidade Católica recorreu da decisão de 2019 e apresentou uma nova proposta, que recebeu a aprovação da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior. Alberto Amaral, presidente da entidade responsável pela acreditação, tinha dito, no final do ano, que o Conselho da Administração da UCP resolvera aceitar e corrigir as indicações dos pareceres desfavoráveis para a implementação de um curso de Medicina na instituição privada de ensino.

José Agostinho Marques, antigo presidente da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, rejeita fundamentalismos no momento de comentar a adoção do curso pelo setor privado. "Sou da ideia de que o ensino da medicina deve ser público, não deve ser privado, mas isto é uma falácia. O ensino da medicina deve ser de qualidade."

"Há bons exemplos pelo mundo fora de ensino privado de medicina de muita qualidade, como há exemplos de má qualidade", ressalva o antigo professor catedrático, que não descarta, no entanto, alguma "preocupação" levantada por esta decisão.

"Para quem está envolvido nestas questões, há sempre alguma preocupação, porque até ao momento [as universidades que lecionavam o curso de medicina] eram todas públicas, e, até ao momento, a nossa medicina é tida como de grande qualidade quando comparada com o ensino internacional. Não será só por isso, mas é possível que isso desempenhe um papel importante."

O "medo", justifica Agostinho Marques, justifica-se pela possibilidade de, "ao aumentar os cursos além da necessidade de novos estudantes, ao abrir ao setor privado, possa acontecer o que aconteceu numa ou outra área em que se geraram escândalos", até porque, lembra: "A maior parte dos escândalos no ensino superior tem acontecido em universidades privadas, e isso não significa fatalmente que todas sejam más ou todas sejam boas."

Com universidades clássicas em Coimbra, duas no Porto, em Lisboa, em Braga e no Algarve, "encontrar recursos humanos [para ensinar Medicina na UCP] não vai ser um problema", acredita o antigo presidente da FMUP. "A Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, que eu dirigi durante alguns anos, tinha na altura mais de 160 doutorados no exercício da profissão a trabalhar no ensino. Há em Portugal recursos humanos para serem recrutados facilmente."

"Portugal é um país que fez um muito bom trabalho nas universidades públicas", conclui o professor universitário.

* Atualizada às 09h26