Chamadas não atendidas e horas de espera. A saga dos utentes para marcar consulta no centro de saúde

Chamadas que não são atendidas, pedidos de envio de e-mails a explicar a situação e esperas à porta dos centros de saúde. No regresso à atividade as unidades de saúde não estão a facilitar a vida aos utentes.

A ministra da saúde insiste que os doentes não devem ter medo de procurar o Serviço Nacional de Saúde, mas para marcar uma consulta numa unidade de saúde familiar os utentes desesperam.

Nos centros de saúde ou não atendem o telefone, ou fazem-no passado muita insistência e várias chamadas depois. Queremos saber se estão a realizar-se consultas presenciais. "Neste momento não", diz a funcionária. "Só se for alguma situação urgente". No entanto, perante a insistência esclarece que é necessário enviar um e-mail a explicar a situação e ele será reencaminhado para o médico de família. "Depois o doutor diz-nos" se a consulta será atribuída e quando.

Quem não tem possibilidade de enviar e-mail é obrigado a deslocar-se ao centro de saúde, preencher um papel à porta e aguardar pela resposta do médico.

É assim no centro de saúde de Faro mas está a acontecer um pouco por todo o país.

O presidente da Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar (USF-AN) explica que esta pandemia veio colocar a nu muitas situações. "É verdade que a maioria das unidades e dos centros de saúde não tem condições físicas , nem circuitos, nem salas de espera para ter um grande aglomerado de pessoas dentro das unidades funcionais", explica Diogo Urjais.

O objetivo do contacto prévio com os utentes é "fazer a triagem dos sintomas [dos doentes] e saber da realidade real do utente deslocar-se à unidade", acrescenta.

O presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) considera que é urgente recuperar nos meses de verão a atividade assistencial aos doentes que ficaram por observar nos meses de paragem. Rui Nogueira vaticina que no inverno a situação irá complicar-se porque mesmo que os doentes não estejam infetados com Covid-19, não será possível sabê-lo à partida, o que complicará o trabalho dos médicos." Todos os doentes com febre, tosse, dor de garganta e dores no corpo, são habituais no Inverno, mas esse é um quadro clinico de Covid". " Como é que vamos distinguir os Doentes Covid de não Covid?" questiona. "Temos que trabalhar muito para orientar a atividade assistencial no próximo inverno", afirma.

15 mil doentes com cancro ficam por diagnosticar

Rui Nogueira estima que neste tempo de paragem tenham ficado muitos diagnóstcos por fazer pelos médicos dos centros de saúde, nomeadamente na área oncológica. O médico conta que anualmente fazem o diagnóstico de aproximadamente 50 mil cancros.

"Fazemos cerca de 5 mil diagnósticos de cancro por mês", esclarece. Nos meses de paragem de atividade " podem ter ficado por diagnosticar 15 mil doentes com cancro". O médico conclui que há por isso necessidade de reprogramar a atividade dos centros de saúde para conseguir recuperar o atraso nos próximos 3 meses.

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