Associação avisa que horário alargado não vai resolver problemas dos centros de saúde

O representante dos médicos de família diz que os pagamentos extra agora anunciados pelo Governo para os clínicos dos centros de saúde não resolvem tudo.

O presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, Nuno Jacinto, avisa que os incentivos publicados esta quarta-feira para recuperar as consultas nos centros de saúde vão ter efeitos limitados. Entre as medidas anunciadas pelo Governo está a hipótese de alargar o horário das consultas nos dias úteis, até às 22h, e aos sábados, das 10h às 14h.

Estão ainda previstos pagamentos extra aos médicos, mas o representante dos médicos de família explica que não é isto que vai resolver todos os problemas nos centros de saúde e unidades de saúde familiar, provocados pela pandemia.

"Pode fazer sentido para algumas questões como, por exemplo, a gestão de horários, para haver menos sobreposição de consultas entre vários médicos ou enfermeiros, para a realização de rastreios que, efetivamente, precisam de levar aqui um novo ímpeto, para voltarmos a entrar na linha que tínhamos anteriormente. Mas, quando falamos de cuidados de saúde primários, não nos podemos esquecer que tratamos os doentes como um todo, que há um contínuo de cuidados e que não é por haver alguma consulta que não tenha sido feita no passado que agora vamos fazer o dobro das consultas a esse mesmo doente", explicou à TSF Nuno Jacinto.

A Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar diz que os pagamentos extra agora anunciados pelo Governo para os clínicos dos centros de saúde não resolvem tudo.

"Não pode ser nada que seja imposto, tem de ter em conta a realidade de cada unidade e tem de ser para responder a situações muito específicas e de acordo com a disponibilidade dos centros de saúde, como é óbvio. [A portaria] Não pode ser vista de forma isolada. O que importa aqui, no meio disto tudo, é que tenhamos condições para vigiar os nossos doentes e utentes de acordo com aquilo que são as boas práticas", acrescentou o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.

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