Associação Zero quer intervenção do Governo português na central nuclear de Almaraz

Aconteceu um problema na madrugada de sexta-feira para sábado, quando o reator da unidade dois se desligou automaticamente.

Almaraz está a pouco mais de 100 quilómetros de Portugal e, por isso, a associação ambientalista Zero diz que o Governo tem uma palavra a dizer. Em menos de uma semana foram dois os incidentes na central nuclear espanhola.

Foram pequenos incidentes, sem consequências para os trabalhadores ou para o ambiente. O problema aconteceu na madrugada de sexta-feira para sábado, quando o reator da unidade dois se desligou automaticamente.

Francisco Ferreira, da Zero, teme que seja o início de problemas maiores.

"O meu receio é que estes incidentes que, à partida, não tiveram consequências nem para os trabalhadores nem para o ambiente, se venham a acumular de forma repetida e com consequências mais graves porque estamos a falar de uma central nuclear que pode ver o seu período de vida estendido até 47 anos", explicou à TSF Francisco Ferreira.

A central nuclear devia fechar em 2024, mas o governo espanhol já recebeu uma autorização especial para prolongar a atividade até 2028. Falta ainda uma decisão final do governo.

A associação ambientalista Zero contesta a decisão de permitir o prolongamento da vida útil da central nuclear, defende que o Governo português tem de ter uma palavra a dizer e que o executivo espanhol deve ter em conta estes incidentes na decisão que vai tomar.

"É evidente que podemos ter circunstâncias, nomeadamente de segurança, que levem o Governo espanhol a mudar aquilo que o centro de segurança nuclear decidiu agora, há cerca de dois meses. Mas também é importante, da parte do Governo português, não baixar os braços em relação à central de Almaraz", afirmou o responsável da Zero.

"Estamos muito preocupados"

A Associação para a Defesa da Natureza e Recursos da Estremadura também está preocupada. O dirigente Chema Mazon, membro do Movimento Ibérico Antinuclear, explica que o comunicado oficial das autoridades espanholas diz que o reator parou por causas desconhecidas. E isso é um problema.

"Estamos muito preocupados com este último incidente e pela nota oficial do conselho de segurança nuclear, que diz que não se sabe muito bem aquilo que aconteceu. A explicação técnica não é muito clara e esperamos explicações das autoridades à sociedade espanhola, mas tratando-se de Almaraz, Portugal e o Governo português devem pedir informações ao governo espanhol", aconselhou Chema Mazon.

A associação afirma que agora não há perigo porque os dois reatores foram parados, mas aconselha o Governo português a pedir explicações a Espanha.

"Continuam a ser investigadas as causas deste incidente, desta anomalia que obrigou a parar o reator. Isso preocupa-nos. É verdade que as autoridades afirmam que não tem consequências para a população, mas mesmo assim o Governo português devia perguntar ao homólogo espanhol aquilo que se passa com Almaraz nestes dois casos", acrescentou o responsável pela Associação para a Defesa da Natureza e Recursos da Estremadura.

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