Ataques a animais. Medo em aldeias. Hortas destruídas. Canis cheios já têm consequências

Quase uma centena de centros de recolha de animais de companhia candidataram-se e não tiveram apoio do Estado. Lei que proíbe abates lotou muitos canis.

O vereador do ambiente de Sabrosa é apenas um dos autarcas preocupados com o aumento dos animais errantes: "O canil está realmente superlotado e neste momento não há a possibilidade de recolher nenhum cão", apesar das queixas cada vez mais comuns de munícipes preocupados com ataques a rebanhos ou matilhas que se vão formando pelas aldeias.

Mário Vilela Gonçalves admite que não sabe o que fazer pois recebe "constantemente queixas" de que "há aqui ou ali cães vadios que se juntam e dão prejuízos na agricultura, em hortas e mesmo no gado".

"Há cães que são acarinhados pelas pessoas nas aldeias e que depois não saem dali, mas outros são cães revoltados e as pessoas têm medo", detalha o autarca de Sabrosa.

Cada vez mais ataques

O dirigente da Associação de Médicos Veterinários dos Municípios não fica surpreendido com o relato anterior pois há quase um ano que alerta para este risco desde que em outubro de 2018 entrou em vigor a lei que proíbe o abate de animais, travando recolhas e enchendo os canis.

Como é habitual há décadas, no verão aumentam os abandonos de animais domésticos e Ricardo Lobo diz que o problema que já era grave tende a agravar-se neste período de férias.

"Não conhecia esse caso de Sabrosa, mas é normal e existem outros paralelos. Há casos de ataques a rebanhos em Leiria, Vila Verde, Oliveira do Hospital... são bastantes os casos de queixas de matilhas a atacarem animais, mesmo que não sejam a maioria dos casos", detalha o representante dos veterinários.

Ricardo Lobo explica que os municípios não têm capacidade para responder a todos os pedidos de recolha de cães e como não são recolhidos estes acabam por reproduzir-se e dar origem a segundas e terceiras gerações de cães que já nascem em meio selvagem sendo muito difícil capturá-los.

"Estão aumentar os registos de matilhas e ataques a animais e rebanhos, algo que era previsível", diz o veterinário que sublinha que não defende o abate mas que se criem condições objetivas para que os animais não fiquem nas ruas sem qualquer alternativa.

Ricardo Lobo garante que a grande maioria das câmaras está sem responder aos pedidos de recolha de animais, dando o exemplo da Comunidade Intermunicipal do Minho-Lima onde trabalha e onde existem 160 pedidos em espera.

Quase uma centena de centros de recolha à espera de apoio

Em 2018 o Governo aprovou 17 candidaturas, ficando por financiar 112 candidaturas elegíveis de municípios que pediram apoio ao Estado para construir e modernizar centros de recolha oficial de animais de companhia.

Em julho de 2019 foram aceites mais 20 candidaturas, no valor de 1,1 milhões de euros, mas muitas continuam sem qualquer apoio.

Questionado pela TSF sobre quando espera que seja possível financiar os restantes centros o Ministério da Administração Interna apenas respondeu com os números anteriores, acrescentando que "o Governo criou um programa que concede incentivos financeiros aos municípios para a construção e modernização dos centros de recolha oficial de animais, contribuindo dessa forma para que as autarquias obtenham maior capacidade e melhores condições para exercer as respetivas competências".

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