Atrasos do INEM. Sindicato diz que "pode estar em causa homicídio por negligência"

Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar alerta para a falta de profissionais, que leva a que as ambulâncias estejam paradas.

É já esta quarta-feira que o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar apresenta uma queixa no Ministério Público por causa dos sucessivos atrasos na prestação de socorro por parte do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM). O caso mais recente envolve um homem de 70 anos que teve de esperar mais de uma hora para ser transportado para o Hospital de Faro.

"Trata-se de um senhor de 70 anos que estava na via pública e sofreu uma crise convulsiva. Houve um contacto para o 112, que enviou para o local um motociclo de emergência médica de Faro e não enviou ambulância por não haver nenhuma disponível. O técnico de emergência pré-hospitalar que estava no motociclo confirmou, quando chegou ao local, a situação, que já teriam ocorrido quatro crises convulsivas e, dado o agravar da situação, chegou a sugerir ao CODU, numa atitude até corajosa, que a vítima fosse transportada no carro de um familiar com o acompanhamento deste técnico. O CODU só conseguiu enviar uma ambulância depois de 55 minutos da chamada inicial", contou à TSF Rui Lázaro, presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar.

O sindicato vira-se agora para o Ministério Público com uma queixa.

"Temos recebido várias denúncias ao longo dos últimos meses, com uma frequência quase diária, de vários atrasos no socorro ou no envio de ambulâncias, muitos deles superiores a uma ou duas horas. Na sequência disso estivemos hoje reunidos com o nosso departamento jurídico e a elaborar uma denúncia que seguirá previsivelmente amanhã para o Ministério Público, dando nota destes atrasos. Queremos o apuramento de eventuais responsabilidades. Havendo casos em que, por falta de socorro, comprovadamente pessoas vieram a falecer e o INEM, pela sua inação, não tomou medidas para prevenir estes acontecimentos, pode estar em causa homicídio por negligência", explicou.

Há falta de profissionais, o que leva a que as ambulâncias estejam paradas. Por isso, o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar pede uma revisão da triagem para que as ambulâncias deixem de ser ativadas para ocorrências não urgentes.

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