Autarcas e agricultores respondem que túnel para devolver água ao Tejo "pode ser solução"

Em resposta ao ministro do Ambiente, o presidente da câmara de Vila Nova da Barquinha e o presidente da associação de agricultores de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação veem com bons olhos a proposta de João Pedro Matos Fernandes, mas lembram que ainda não foram divulgados os estudos para construção da barragem do Alvito.

Até pode ser uma solução para os municípios banhados pelo Tejo, mas antes de pensarem na construção de um túnel os autarcas querem ter na mão os estudos sobre a construção da barragem do Alvito.

Esta é a posição do presidente da câmara de Vila Nova da Barquinha, um dos municípios afetados pela falta de caudal do Tejo, perante a proposta do ministro do Ambiente de abrir um túnel que permita a passagem de água da barragem de Cabril até Belver.

"Penso que poderá também ser uma solução, mas não podemos esquecer a questão da barragem do Alvito que é fundamental. Gostaríamos de ter os respetivos estudos e todas estas três comunidades, a Beira Baixa, a Lezíria e o Médio Tejo estão a aguardar os estudos da construção da barragem do Alvito, que é reivindicação destas autarquias, no fundo, banhadas pelo rio Tejo e pelo rio Zêzere", explica em declarações à TSF.

Fernando Freire nota, por outro lado, que a solução avançada por Matos Fernandes significa tirar de um lado para pôr noutro, mas a falta de água vai manter-se

"O problema que se levanta é que estamos a utilizar a mesma água que a montante já está no nosso território, ou seja, não há um acrescento de reforço de água no nosso Tejo. Não temos água disponível quer para a fauna, quer para a flora", diz.

Também Luís Damas, presidente da associação de agricultores de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação, defende que o ideal era Portugal ter a barragem do Alvito para evitar estar ao sabor do mercado de eletricidade e dos interesses espanhóis em geral, como acontece atualmente a reboque da subida dos preços da eletricidade no mercado ibérico.

"No gráfico da barragem de Alcántara, ela tem tido este ano mais água e houve alturas que eles a esgotaram, agora está com 40%. Acho que o governo espanhol até abriu um inquérito do uso da água porque o mercado estava muito alto", refere.

Ainda assim, e embora tenha dúvidas quanto ao custo previsto, Luís Damas, em nome dos agricultores, admite que a solução do túnel pode ser uma resposta à falta de caudal para rega.

"Se for viável é uma solução, porque a barragem do Cabril tem sempre alguma disponibilidade de água, é da bacia do Tejo, não há transvazo e parece-me bem", afirma, sublinhando que "tudo o que seja para pôr água aqui neste troço do rio Tejo, a associação de agricultores aplaude e esperamos que não seja mais um projeto que esteja mais 20 ou 30 anos na gaveta".

A construção de um túnel de 50 quilómetros para tirar água da barragem de cabril e levá-la até Belver foi uma ideia avançada pelo ministro do Ambiente, em entrevista à TSF e Dinheiro Vivo. Uma obra que, nas contas de João Pedro Matos Fernandes, custaria cem milhões de euros.

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