Bacalhau e frutos secos. Este Natal será diferente?

A um mês do Natal, é grande a apreensão dos comerciantes. Há quem tenha optado por ir encomendando bacalhau e frutos secos em função das vendas e quem tenha decidido cortar nas encomendas.

Para os comerciantes as restrições à circulação entre concelhos durante os feriados de 1 e 8 de dezembro veio agravar ainda mais a já débil saúde do comércio.

A Casa Natal é uma das mais antigas mercearias da cidade do Porto, foi fundada em 1900. Está preparada para o Natal: na montra vemos de um lado um arco-íris de frutos secos, alinhados em pequenas taças de vidro. Do outro lado, bacalhaus inteiros pendurados, e prateleiras preenchidas com lombos, línguas, caras e bochechas de bacalhau. Nuno Rocha é o proprietário e diz que este Natal está a ser preparado com muita cautela. "Estamos muito inseguros quanto ao volume de vendas, à adesão das pessoas e vinda dos clientes à loja. A nível de previsão de compras para o Natal estamos a ser muito mais cautelosos, porque temos medo do que venha a acontecer, andamos a comprar 50, 60% daquilo que seria normal."

Medo agravado pelo facto de este ano não poderem contar com o balão de oxigénio que os feriados de 1 e 8 de dezembro habitualmente trazem. "O dia 1 é tradicionalmente um dos nossos dias de melhor faturação de todo o ano, tem sido assim nos últimos anos e vai fazer toda a diferença."

Nuno Rocha tem medo de não vender ou estragar produtos, à semelhança do que aconteceu na Páscoa. "Quando foi declarado o estado de emergência a meio de março apanhou-nos numa fase em que já tínhamos comprado o normal para uma Páscoa normal. Resultado: tenho os armazéns cheios, alguns produtos poderão aguentar até à próxima Páscoa, mas muitos serão perda total com prejuízos muito significativos."

A um mês do Natal as vendas estão fracas, com exceção do bacalhau."Nos últimos dias temos visto pessoas a antecipar-se e o bacalhau é o único produto que até agora não sofreu grande quebra. Relativamente a toda a outra gama de produtos nota-se uma quebra grande."

Da Rua Fernandes Tomás para a Rua do Bonjardim, na Feira do Bacalhau, loja fundada em 1925. Joaquim Carvalho, o proprietário, conta que decidiu não arriscar. "Eu disse ao meu fornecedor que ia ser assim: o bacalhau vem consoante eu precise... Nos anos anteriores eu já tinha aqui 10, 20, 30 caixas de bacalhau. Este ano nem metade. Vamos ver daqui para a frente, se correr bem eu telefono e ele traz, senão trabalho com o que tenho."

Vive um dia de cada vez. "Noto que os meus clientes que vinham em dezembro começaram a vir mais cedo, penso que devido às restrições impostas pelo Governo. Vamos ver se daqui para a frente chegam novos clientes, vamos esperar. Vamos lutar, um dia de cada vez."

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