Bispo José Ornelas investigado pelo Ministério Público por alegado encobrimento de abusos sexuais

Denúncia foi reencaminhada pela própria Presidência da República.

José Ornelas, bispo de Leiria-Fátima e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, está a ser investigado por alegado encobrimento de casos de abusos sexuais sobre crianças acolhidas num orfanato em Moçambique. A denúncia foi reencaminhada pela própria Presidência da República.

Segundo o jornal Público, o caso, que está a ser investigado pelo Ministério Público, já tem mais de 10 anos. Na altura, D. José Ornelas estava à frente da congregação dos sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus.

Um professor português ouviu, de um aluno que frequentava o centro polivalente Leão Dehon, relatos de alegados abusos sobre crianças no orfanato e denunciou o caso ao atual bispo de Leiria-Fátima. No entanto, recebeu apenas como resposta duas cartas a agradecer os alertas, e a indicar que o padre Cominotti, que dirigia o orfanato, não estava sob sua autoridade, mas sim da diocese, e que sobre o padre Ilario Verri, diretor da escola, não recaíam quaisquer denúncias.

Onze anos volvidos, e para evitar qualquer esquecimento do caso, o professor João Oliveira enviou uma queixa diretamente à Presidência da República, que a reencaminhou para a Procuradoria-Geral da República a acusar D. José Ornelas de inação.

De acordo com o jornal Público, que teve acesso à denúncia, o bispo de Leiria-Fátima omitiu das autoridades o abuso de vários menores, enquanto presidente da ordem dos Dehonianos e que, entre 2003 e 2015, altura em que foi chefe da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, protegeu abusadores de menores em duas ocasiões: em Moçambique e também em Portugal.

Contactado pelo Público, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa garante que não tem conhecimento formal da denúncia, mas sublinha que o sentimento que tem é que não houve qualquer negligência. D. José Ornelas recorda que, em 2011, e perante as denúncias, abriu um inquérito interno, mas informal (não existindo, por isso, qualquer registo do mesmo) para descobrir eventuais abusos.

O bispo de Leiria-Fátima afirma ainda que se tivesse havido qualquer dúvida sobre abusos, teria dado instruções para que isso fosse participado às autoridades competentes.

Recorde-se que D. José Ornelas, como presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, criou a comissão independente para o estudo dos abusos sexuais de crianças na Igreja Católica Portuguesa.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de