Bloco de partos da Maternidade Alfredo da Costa já não vai fechar esta noite

Diretor da área de Ginecologia e Obstetrícia revelou que foi possível "colmatar as falhas" recorrendo aos médicos com menos horas extraordinárias realizadas.

O diretor de Ginecologia e Obstetrícia da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), Ricardo Mira, anunciou que o bloco de partos desta unidade não vai encerrar esta noite e até sexta-feira, como estava previsto, sendo o serviço assegurado pelos médicos com menos horas extraordinárias feitas neste ano.

"Uma boa notícia: o encerramento já não vai acontecer", começou por anunciar o clínico, antes de explicar que foi possível "dar a volta e colmatar as falhas" que iam obrigar ao encerramento do serviço.

"Posso garantir que até ao final do mês de agosto a MAC vai estar em pleno", assinalou também em declarações aos jornalistas no local, "e isto deve-se a um grande esforço dos profissionais".

Sobre se a atividade para setembro também já está assegurada, Ricardo Mira reconheceu que "ainda é um bocadinho precoce" falar desse cenário, mas disse "crer" que "ainda é possível resolver o problema".

Para resolver o problema de agosto, a direção da maternidade "teve de optar pelos profissionais que tinham menos horas extraordinárias", sendo que muitos tinham, no final de julho, um número já muito superior às 150 horas extraordinárias anuais previstas na lei, na ordem das "300 ou quase 400" horas a mais.

"Mostraram-se indisponíveis e nós compreendemos, todos eles são pessoas novas com filhos pequenos e família, e naturalmente é muito penoso estar constantemente de urgência", explicou a médica Teresinha Simões, coordenadora de Ginecologia e Obstetrícia da MAC, também presente nesta conferência de imprensa.

Assim, aos médicos com menos horas extraordinárias realizadas neste ano, foi pedido que "colmatassem as falhas na escala".

Nas últimas 24 horas foram realizados "12 partos vindos do exterior", apesar de a MAC estar em nível de contingência, "porque todos os outros hospitais estão com condições precárias e ninguém aceita ninguém".

"Se as grávidas chegam aqui em trabalho de parto, temos de as aceitar e fazer o parto", assinalou a médica, que reconhece que tal requer um especial "esforço" e cooperação da equipa de enfermagem. Quanto aos casos que não eram considerados urgentes, as grávidas foram referenciadas para os cuidados de saúde primários.

Como solução a longo prazo, Teresinha Simões referiu a contratação de mais médicos: "Estamos todos [no SNS] com um número inferior ao ideal e vários médicos, mesmo numa faixa etária acima 50 anos, é com muito boa vontade que continuam a fazer urgências".

"O SNS não pode funcionar à conta de inúmeras horas extra. Significa que está subdimensionado para as necessidades", insistiu.

Os médicos internos de Ginecologia/Obstetrícia enviaram uma carta à ministra da Saúde no início deste mês (com cerca de 100 assinaturas) e, na semana passada, reiteraram a indisponibilidade para fazer mais de 150 horas extraordinárias por ano, tendo apresentado minutas de escusa de responsabilidade para quando não estão assegurados os mínimos adequados nas escalas de urgência.

Estes profissionais reúnem-se hoje com o bastonário da Ordem dos Médicos para discutir e analisar a crise atual que a especialidade enfrenta, nomeadamente a falta de condições de trabalho e formativas.

Estava previsto que a partir das 21h00 desta terça-feira e até às 9h00 de sexta o bloco de partos da MAC encerrasse, uma informação disponível no portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e que chegou a ser confirmada à TSF por fonte oficial do Centro Hospitalar Lisboa Central.

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