Bombas de insulina. "Os adultos com diabetes tipo 1 beneficiam tanto como as crianças"

Petição que pede o alargamento da comparticipação das bombas de insulina a todos os doentes com diabetes tipo 1 já conta com quase cinco mil assinaturas.

Quase cinco mil pessoas já assinaram a petição, promovida pelo grupo DiabéT1cos, que defende o alargamento da comparticipação das bombas de insulina a todos os doentes com diabetes. Uma vez recolhidas as assinaturas necessárias, o grupo pretende levar a petição à Assembleia da República para que avance com legislação sobre a matéria.

Em Portugal, a comparticipação destes dispositivos está atualmente garantida para crianças e jovens até aos 18 anos. Os promotores da petição querem ir mais longe e alargar o acesso às bombas de insulina a todos os doentes com diabetes 1 que sejam recomendados pelas equipas médicas que os seguem.

Na base desta reivindicação estão os benefícios que a utilização de uma bomba de insulina pode trazer não só na gestão diária da doença mas também na prevenção de complicações futuras que podem passar por problemas cardiovasculares, neuropatias, problemas de renais, problemas de visão ou até amputações dos membros inferiores.

A petição conta com o apoio da APDP - Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal, que lembra que os adultos beneficiam tanto da utilização de uma bomba de insulina como as crianças.

"Aquilo que estaremos a falar hoje é de quem necessita destes sistemas (...) houve uma recomendação da Assembleia da República há cinco anos atrás para que fossem comparticipadas as bombas de insulina para todas as crianças e jovens em idade pediátrico. Este é o ano em que estamos a concluir a colocação das bombas até aos 18 anos de idade. Falta agora planear o próximo passo, que vem no âmbito da petição, para ver se alargamos a atribuição deste sistema aos adultos que tem diabetes tipo 1 e que beneficiam igualmente, pelo menos tanto como as crianças, de ter estes sistemas disponíveis", explicou à TSF o Dr. João Raposo, diretor clínico da APDP.

Menos injeções no corpo (das atuais 6 a 10 injeções com canetas, seria apenas necessária a inserção de um cateter de 3 em 3 dias), uma maior segurança na administração da insulina que permite reduzir substancialmente situações de hipo e hiperglicemia e uma maior flexibilidade horária na administração das insulinas, são alguns dos benefícios que acompanham o uso destes dispositivos.

"Quando falamos da bomba de insulina estamos a falar de um modo mais fácil de administrar a insulina, de um modo mais fisiológico, ou seja que reproduz de melhor maneira aquilo que as pessoas necessitam realmente e que permite ajustes mais fáceis,", lembra a APDP.

"Nós não temos a mesma vida todos os dias e as injeções de insulina tornam-se às vezes muito frustrantes porque mesmo que as pessoas saibam fazer bem as contas do que comem, de planear a atividade física, do seu ritmo de trabalho, há variações do dia que depois não se traduzem por um bom controlo. Se as pessoas estão motivadas para ter um bom controlo estamos a colocar um fardo demasiado importante na vida das pessoas para não terem o resultados que pretendem. Isso do ponto de vista quer dos profissionais de saúde, quer das pessoas com diabetes, quer das famílias, traduz-se às vezes até por reações de culpabilidade porque se os resultados não estão bom é porque não se fez as coisas como se devia. Às vezes não é isso que está em causa. Isto não é uma matemática perfeita e precisa do apoio tecnológico que ainda não está disponível" no caso dos adultos, lembra João Raposo.

O Grupo DiabéT1cos recorda que cada vez mais são diagnosticados casos de diabetes tipo 1 em adultos, que em muito beneficiariam de meios mais eficazes de administrar insulina que as atuais canetas de insulina.

A recolha de assinaturas está a decorrer no site Petição Pública ou através do endereço http://peticao.diabet1cos.pt. O grupo DiabéT1cos pretende entregá-la na Assembleia da República depois das eleições legislativas marcadas para outubro deste ano.

Em Portugal, a doença atinge mais de um milhão de pessoas, sendo que a este número acresce mais de dois milhões de pré-diabéticos.

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