Bombeiros envolvidos no combate a incêndios não receberam salário de junho

O Ministério da Administração Interna reconhece constrangimentos administrativo-financeiros, mas promete regularizar a situação.

Os bombeiros envolvidos no combate a incêndios não receberam os ordenados referentes ao mês de junho. O Governo já admitiu os constrangimentos financeiros, mas prometeu resolver o problema o mais brevemente possível.

Trata-se de quatro milhões de euros que deveriam ter sido transferidos para a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, e a Liga de Bombeiros avisa que pode estar em causa o dispositivo de combate a incêndios rurais. E mais alerta: se tal acontecer, a responsabilidade será única e exclusivamente do Estado.

Em resposta à agência Lusa, o Ministério da Administração Interna lamenta o ocorrido e reconhece constrangimentos administrativo-financeiros que não são habituais. O MAI deixa ainda a promessa de regularizar a situação em breve.

O atraso foi justificado no sábado, numa carta enviada aos comandantes distritais das operações de socorro.

O jornal Público revela que, na carta, assinada pelo comandante das operações do distrito de Lisboa, Carlos Marta, é lembrado que o orçamento é sempre acentuadamente inferior às necessidades. Mas sublinha também que a culpa pela falta de verbas não é do MAI, mas do Ministério das Finanças.

A Associação Nacional de Bombeiros e Agentes de Proteção Civil também já criticou o que considera ser uma "situação deplorável que devia estar previamente acautelada" na fase de pandemia em que o país se encontra.

O deputado do PSD Duarte Marques, quer respostas mais concretas por parte do Governo, e revela à TSF que o partido entregará ainda esta manhã um pedido de esclarecimentos ao MAI.

Duarte Marques acusa o Executivo de irresponsabilidade, de maltratar os bombeiros e lembra que esta não é a primeira vez que os pagamentos sofrem atrasos, pelo que o PSD coloca a dúvida sobre se será apenas o mês de julho que estará por saldar. "Desconfio ainda que a verba relativa a maio deve estar em atraso, porque o mais grave é que a missiva que circula para informar os bombeiros refere que também em anos anteriores o orçamentado era inferior às despesas da Proteção Civil", censura o deputado.

"É exatamente o mesmo que os médicos e os enfermeiros que estão nos hospitais no combate ao vírus tenham os salários em atraso. É inaceitável e uma vergonha, sobretudo porque são despesas previstas ao longo do ano."

O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses considera "inaceitável" a situação que se vive atualmente no dispositivo de combate a incêndios. Ouvido pela TSF, Jaime Marta Soares é duro nas críticas ao Governo: "Esta atitude é absolutamente inqualificável, é de uma gravidade extrema. Nós não temos nada que ver com as falhas do Ministério das Finanças. Aliás, esse é o dia-a-dia. O Ministério das Finanças é autista em relação aos bombeiros."

Jaime Marta Soares alerta para os riscos de deixar "brechas" no dispositivo, que provoquem ruturas no combate a incêndios. Na perspetiva do presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, O Governo "tinha material para fazer orçamentos rigorosos".

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