Buzina de Marcelo empurra "Expedição Lusitânia" do século XXI para o Brasil

No dia de comemoração dos 100 anos da expedição de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, oito veleiros rumaram ao Brasil com o Presidente da República a "dar o tiro de partida". O objetivo é homenagear os aero navegadores e alertar para as questões ambientais.

É uma espécie de "Expedição Lusitânia" do nosso século. Oito veleiros com 30 tripulantes seguiram, ao início da tarde, viagem para o Brasil, no âmbito das comemorações do centenário da primeira travessia aérea do Atlântico Sul que decorreram hoje na Torre de Belém, em Lisboa.

O presidente da associação David Melgueiro em declarações à TSF afirma que o objetivo de recriar esta travessia do navegador Gago Coutinho e do piloto Sacadura Cabral é homenagear "estes heróis portugueses". Luís Batista afirma que "a nossa história é feita precisamente destas evocações e se nós não as fizermos, muito pouca gente nas gerações que se seguem vão ter azo para perceber a importância que isto teve para a humanidade".

Há ainda um objetivo nobre nesta viagem, que passa por alertar para as questões ambientais. "Estamos precisamente a fazer uma chamada de atenção com eventos culturais nos sítios emblemáticos desta expedição [Espanha, Cabo Verde e Brasil] para alertarmos as pessoas para a mudança de paradigma sob pena de não estarmos cá para cumprir os 200 anos da travessia."

Os 30 tripulantes são pessoas da sociedade civil que tiveram formação durante a pandemia, como explicou em fevereiro à TSF, o comandante José Mesquita, responsável pela expedição.

Os oito veleiros partiram para o Brasil depois de o Presidente da República, junto ao Rio Tejo, ter premido uma buzina. Marcelo Rebelo de Sousa esteve nas comemorações e, num discurso oficial, destacou o "grande feito" de Gago Coutinho e Sacadura Cabral que, defendeu, deve ser celebrado com "uma aposta na educação, tecnologia, ciência e Forças Armadas".

"Não foi um feito qualquer, porque trouxe consigo a ciência portuguesa, a tecnologia, a capacidade de dois homens excecionais. Um mais virado para a teoria, outro mais virado para a prática. E que se completavam. Eles eram um só, sendo dois", afirmou o Chefe de Estado.

O Presidente da República destacou o facto de a dupla ter partido para a expedição junto à Torre de Belém. Marcelo Rebelo de Sousa diz que este local não é "um qualquer", pois pertence à "nossa história". Já que foi a partir daqui que "durante séculos partiram portugueses e portuguesas que povoam e povoam o mundo". "Daqui Portugal se fez universal", acrescentou.

Gago Coutinho e Sacadura Cabral partiram no dia 30 de março de 1922, em Belém. Passaram depois por Espanha e Cabo Verde, tendo chegado ao Brasil. Países que Marcelo Rebelo de Sousa defende que "devem ser fortalecidos os laços de fraternidade". Durante a cerimónia, distribuiu três medalhas, uma cada para país pelo qual passou a dupla de navegadores.

Nas comemorações, houve uma parada militar com os três ramos das Forças Armadas a marcarem presença. A Marinha Portuguesa desfilou com vários navios, bem como a Força Aérea, com os caças F-16 entre as aeronaves mais ruidosas.

Foi ainda descerrada uma placa comemorativa deste centenário da primeira travessia aérea do Atlântico Sul.

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