Camas para doentes e cápsulas de transporte. Açores e Madeira oferecem ajuda ao continente

Regiões autónomas ficaram surpreendidas por o Governo estar a ponderar enviar doentes para o estrangeiro e mostraram-se prontos para ajudar.

Os Açores disponibilizam entre 10 a 20 camas para doentes com Covid-19 do continente e a Madeira oferece três camas em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) e coloca ao dispor do Governo da República duas cápsulas para o transporte de doentes críticos. Nenhum dos arquipélagos tem, no entanto, condições para enviar profissionais de saúde.

Gustavo Tato Borges, coordenador regional de saúde, revela que a situação epidemiológica nos Açores está bastante mais controlada do que aquilo que é a realidade nacional e até mesmo a realidade da região autónoma da Madeira.

"Em termos de internamento, temos apenas, entre aspas, 19 doentes, 18 no Hospital Divino Espírito Santo em Ponta Delgada e um no Hospital do Santo Espírito na Ilha Terceira, sendo que em Ponta Delgada temos sete indivíduos em cuidados intensivos e, portanto, a nossa capacidade hospitalar ainda está com bastante folga", afirma.

Pelas contas do coordenador regional de saúde, os hospitais da região podem receber 10 a 15 doentes nas enfermarias destinadas à Covid-19 e três a cinco nas Unidades de Cuidados Intensivos.

"Em cuidados intensivos, as coisas são um bocadinho mais difíceis, nós não temos profissionais diferenciados nesta área em número suficiente para acolher uma grande quantidade de doentes", revela Gustavo Tato Borges, sublinhando que existem camas e equipamentos, mas há poucos profissionais.

É também por essa razão que os Açores não têm capacidade para enviar profissionais de saúde para o continente. "Estamos numa situação, em termos de recursos humanos, bem mais frágil do que é a realidade do continente e, portanto, será muito difícil ceder os nossos profissionais que fazem falta aqui, apesar da nossa realidade hospitalar ser relativamente tranquila."

Na Madeira, o secretário regional de saúde afirma que a situação epidemiológica está relativamente controlada e revela que o arquipélago colocou ao dispor do Governo três camas em UCI.

Pedro Ramos conta que ficou surpreendido com a notícia que dava conta de que o Governo estava a ponderar enviar doentes para o estrangeiro e, por isso, ligou à ministra da Saúde a oferecer ajuda.

"Estamos também a atravessar uma fase em que temos muito mais casos, mas estamos a ter mais casos de doentes infetados, não estamos a ter muito mais casos de doentes a precisar de internamento, portanto, fiz um telefonema à Dr.ª Marta Temido, dizendo que a região estava na disponibilidade, se fosse caso de necessidade, de receber até a um máximo de três doente neste momento", revela o secretário regional de saúde da Madeira, que não fecha a porta à possibilidade de aumentar o número de camas disponíveis para doentes do continente.

Além das três camas em UCI, os Açores disponibilizaram também ao Governo da República as duas cápsulas para transporte de doente críticos que possuem. "São cápsulas de transporte como aquela que foi utilizada na transferência do Navalny para Berlim, quando esteve com aquele problema de saúde. Permitem transportar um doente crítico de natureza infetocontagiosa ou imunodeprimido, permitem fazer o transporte com pressão negativa ou pressão positiva e, portanto, nestes casos, são ideais para o transporte de doentes Covid positivo", explica Pedro Ramos.

As duas cápsulas já foram utilizadas no arquipélago da Madeira para o transporte de doentes com Covid-19 e com comorbilidades entre a ilha do Porto Santo e a ilha da Madeira e o secretário regional da saúde assegura que, se for preciso, qualquer hospital do continente pode recorrer a estes meios.

"A complexidade do transporte vai precisar também da ajuda da força aérea e, nesse sentido, tive a oportunidade de falar com o comando operacional da Madeira e temos já tudo agilizado. Se, entretanto, a ministra da Saúde decidir que algum hospital pode utilizar esta disponibilidade que a Madeira apresenta, em menos de 24 horas esta operação será realizada", garante.

Quanto à disponibilidade para o envio de médicos e enfermeiros para o continente, Pedro Ramos afirma que, tendo em conta o número de casos na região autónoma da Madeira, prefere receber doentes a enviar profissionais de saúde que fazem falta na região.

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