Campanha em Leiria apela para a "urgência" de combater a violência sexual

Vários cartazes espalhados pelos 16 concelhos do distrito de Leiria sensibilizam para um sinal de uma mão, que significa "um pedido de ajuda" para vítimas de violência sexual.

A associação Mulher Século XXI está a lançar uma campanha contra a violência sexual, situação que está inserida na violência doméstica.

Susana Ramos Pereira explicou à agência Lusa que vários "mupis" serão colocados nos 16 concelhos do distrito de Leiria, com um sinal de uma mão, que significa "um pedido de ajuda". A imagem da campanha começou, como explicou à TSF, "a ser muito utilizada nas redes sociais durante o confinamento como uma forma de pedir ajuda sem dar nas vistas ao agressor".

Por isso, a associação, ao invés de criar uma nova forma de sensibilização para a violência sexual, pensou "utilizar um sinal que já estava nas redes sociais e em vários países", revelou a presidente da Mulher Século XXI.

Apesar de ter começado no Canadá, o uso do gesto já chegou a todo o mundo. A urgência em sensibilizar para a problemática da violência sexual deve-se, segundo Susana Ramos Pereira, ao crescente aparecimento "de pedidos de ajuda" na instituição, o que "transforma a necessidade em algo muito urgente".

A campanha vai também estabelecer parcerias com os estabelecimentos de diversão noturna e restaurantes para também colocar a campanha "Perguntem pela Eva", outra forma de ajudar as vítimas, refere a presidente.

A ideia da "Eva" surgiu, conta Susana Ramos Pereira, num pub em Inglaterra, onde encontrou "na casa de banho das mulheres, um cartaz que dizia para perguntar pela Angela", tirou uma fotografia, pediu autorização e agora a ideia é utilizada no concelho de Leiria.

Para que o agressor não saiba de todos os pormenores da ação, não se sabem mais detalhes, mas os trabalhadores dos estabelecimentos abrangidos farão parte de "uma sensibilização e um acordo, porque as pessoas que chegam a um bar e perguntam pela Eva têm de ter uma resposta adequada", conclui a presidente da associação Mulher Século XXI.

Em declarações à TSF, a coordenadora da comarca de Leiria do Ministério Público, Ana Simões, o aumento das penas para os agressores "no crime de violência doméstica tem um efeito dissuasor sobre os agressores e os potenciais agressores".

No distrito, não existe um gabinete de apoio à vítima e a coordenadora explica esse facto porque "só existem seis a nível nacional e estão instalados em departamentos de investigação e ação penal", mas garante que seria "fundamental a instalação" do serviço em mais locais, inclusive em Leiria.

Esta campanha está enquadrada na RIIVD - Rede Integrada de Intervenção na Violência Doméstica do Distrito de Leiria, que é coordenada pela Mulher Século XXI.

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