Campolide tem passadeiras "pintadas de branco". O arco-íris está apenas no alcatrão

Será uma questão de interpretação da língua portuguesa? Depois da sugestão do CDS, que quis pintar duas passadeiras com as cores LGBTI, em Arroios, não ter ido avante, a ideia acabou por ser posta em prática em Campolide. Pintar as passadeiras com as cores do arco-íris, em Campolide, "não é ilegal".

Campolide está a dar que falar. Em causa estão duas passadeiras com as cores do arco-íris que foram pintadas, no fim de semana, como uma referência à bandeira LGBTI.

A ideia não é nova, uma vez que o CDS já tinha sugerido pintar duas passadeiras com as cores LGBTI na Avenida Almirante Reis, em Arroios. A proposta pelo CDS acabou por não se concretizar por contrariar a Regulamentação de Sinalização do Trânsito.

No entanto, o presidente da junta de freguesia de Campolide, André Couto, eleito pelo PS, garante à TSF que esta iniciativa em Campolide, não é ilegal.

"Arroios foi a nossa fonte de inspiração e vimos com tristeza que essa iniciativa acabou por cair por questões de política que nós consideramos menores e por uma interpretação da lei que não é a nossa. Esta medida é legal. Aquilo que os regulamentos exigem é que a sinalização horizontal esteja pintada de branco. Ora, na sinalização que implementámos, as passadeiras estão pintadas de branco. Nós só pintamos as cores do arco-íris no intervalo das faixas brancas", esclarece André Couto.

Porém, a ideia da junta de freguesia de Campolide de substituir o negro do alcatrão pelas cores do arco-íris já foi alvo de criticas.

Nas redes sociais, o vereador do PSD na Câmara de Lisboa, João Pedro Costa - um dos primeiros a manifestar-se sobre o tema - refere que "a comunidade LGBT merece mais do que este folclore".

André Couto entende que a polémica tem duas fontes: "Há quem interprete a lei e os regulamentos de uma forma diferente da nossa. O que é exigido é que a sinalização horizontal seja branca ou amarela em situações excecionais. As passadeiras como nós as pintámos estão brancas. Relativamente à aprovação da medida, a lei também é clara. A junta de freguesia tem competência para a manutenção e conservação das passadeiras e foi no âmbito dessa competência que nós desenvolvemos a medida".

O presidente da junta de freguesia de Campolide considera ainda que as criticas advêm "do preconceito de quem quer atacar uma iniciativa destas", algo que "tem acontecido com todas as iniciativas deste género que se têm verificado ao longo dos anos, mas depois a adesão que têm à realidade é muito curta".

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