Canábis está cada vez mais potente e variada, mesmo em alimentos

Especialistas estão preocupados com novas técnicas de extração e crescente número de produtos com canábis, a droga mais consumida em Portugal.

O Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência pede vigilância ao crescente número de produtos com origem na canábis. Um relatório hoje publicado diz que o fenómeno tem de ser acompanhado de perto pois pode ter efeitos negativos na saúde pública.

O documento sobre "Desenvolvimentos no mercado europeu da canábis" sublinha que este mercado está dinâmico, em expansão e cada vez mais diversificado, com "novas técnicas de produção e extração", bem como "mudanças nas preferências dos consumidores".

A canábis já não é apenas o típico 'charro' havendo "produtos de canábis novos e mais potentes que podem ter sérias consequências para a saúde pública dos consumidores", sendo esta, de longe, a droga mais consumida na Europa e também em Portugal.

O Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) estima que meio milhão de portugueses consome canábis regulamente.

Na União Europeia estima-se que cerca de 17,5 milhões de jovens (15-34 anos) tenham consumido canábis no último ano e que 1% dos adultos (15-64 anos) a consumam diariamente ou quase diariamente, com perto de 150 mil pessoas a iniciarem anualmente tratamentos.

Quais são os novos produtos no mercado europeu de canábis?

O relatório aponta para quatro tipos de novos produtos de canábis: concentrados, comestíveis, canabinóides sintéticos e medicamentos à base de canábis.

No primeiro caso os concentrados surgem porque novas técnicas de extração permitem que se atinjam níveis muito altos do principal constituinte psicoativo da planta (70%-80%), com maior risco de psicose e dependência.

Nos comestíveis o termo e refere-se a alimentos (muitas vezes doces ou líquidos) que incluem na sua composição o principal constituinte psicoativo da canábis (o THC).

Os especialistas europeus estão ainda preocupados com a adição de produtos de canábis a alimentos que "resultam num início mais lento e numa duração mais longa dos efeitos do que quando se fuma canábis" (dependendo muito da dosagem).

Quanto aos canabinoides sintéticos, estas "substâncias químicas artificiais imitam os efeitos da canábis, mas podem ser muito mais potentes", sendo que "alguns destes são vendidos como substitutos 'lícitos' da canábis. No entanto, outros são agora controlados internacionalmente e/ou sob a legislação nacional".

O relatório acrescenta que o primeiro canabinoide sintético identificado na Europa foi detetado em 2008 e desde essa altura já se identificaram mais de 180 produtos desse tipo.

Finalmente, o Observatório Europeu alerta para os "medicamentos à base de canábis e produtos orientados para a saúde" que incluem produtos fabricados segundo padrões farmacêuticos para uso medicinal e outros com composição e descrições variadas.

Duplicou a potência do canábis tradicional

Quanto aos produtos tradicionais de canábis (erva e canábis em resina), dados fornecidos pelos Estados-Membros da União Europeia "mostram que a concentração de THC (o principal constituinte psicoativo da planta canábis) aumentou na última década, suscitando preocupações quanto a potenciais danos".

"A potência média estimada de canábis herbácea duplicou de 5% para 10% de THC entre 2006 e 2016, e a potência da resina de canábis aumentou de 8% para 17% de THC".

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