Cancelamentos e voos adiados não são "o fim do mundo"

Britânicos cancelam férias e regressam mais cedo. Setor do turismo quer acreditar que há outros mercados que poderão ajudar na falta dos ingleses.

O hotel tem vista para a praia de Quarteira mas nem a paisagem anima João Soares. O hoteleiro tem recebido nas últimas horas vários cancelamentos de turistas britânicos e acredita que esse número vai continuar. "Temos várias pessoas que querem regressar mais cedo", conta. "Ontem, após a notícia os cancelamentos começaram logo", diz o hoteleiro. "Contratámos pessoas para um determinado número de clientes, pois era a previsão que tínhamos". No entanto, apesar deste revés, "vamos manter as pessoas, os contratos já estão feitos e temos que ter responsabilidade".

Na receção do hotel está um casal britânico. Regressa a Inglaterra na próxima terça-feira e já será abrangido pela decisão do governo britânico. Jack e a namorada foram apanhados de surpresa. "É um pouco tonto terem-nos dado esperança e agora que estamos aqui dizerem-nos 'têm que regressar para casa'", lamenta o turista. É aborrecido, mas estamos a gostar das férias e queremos desfrutá-las", conclui. O casal não está disposto a antecipar o voo e regressar mais cedo. Se for necessário irá fazer quarentena e os testes PCR exigidos no regresso.

Miguel Campina tem um restaurante na praia das Dunas Douradas, no concelho de Loulé, e habitualmente recebe muitos ingleses. Já tinha marcações para almoços e jantares nos próximos dias e os cancelamentos não param. "São muitos", lamenta. Conta que já teve a informação de que algumas companhias aéreas estão a trazer aviões maiores para levar os ingleses que pretendem regressar antecipadamente.

Mesmo assim este proprietário de restaurante não vai dispensar nenhum funcionário e acredita que os outros mercados poderão ajudar a economia da região."Em junho, julho e agosto vamos ter o mercado nacional, germânico, holandês, francês, espanhol, não é o fim do mundo", desdramatiza. "Vemos amigos nossos, clientes britânicos de largas décadas, tristes por não poderem frequentar o Algarve, virem a Lisboa ou ao Douro", conta.

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