A inauguração da Capital Verde Europeia 2020 acontece este sábado no Parque Eduardo VII, em Lisboa.
Lisboa Capital Verde Europeia 2020

Capital Verde Europeia: Lisboa "escolhe evoluir" e propõe objetivos para a década

É a primeira vez que uma cidade do sul da Europa é reconhecida como Capital Verde Europeia e, por isso, a Câmara Municipal de Lisboa implementou um conjunto de objetivos para serem cumpridos ao longo da década.

O reconhecimento de Lisboa como Capital Verde Europeia 2020, anunciado em 2018 pelo Comissário Europeu do Ambiente, Assuntos Marítimos e Pescas, Karmenu Vella, surgiu do trabalho que tem vindo a ser feito na cidade, no sentido de criar uma Lisboa mais verde. É a primeira vez que uma cidade do sul da Europa é distinguida com este galardão. Com o slogan "escolhe evoluir", Lisboa é, ao longo de 2020, Capital Verde Europeia, tendo o município estabelecido um conjunto de metas que vão para lá deste ano.

"Todos nós podemos fazer mais, pequenos gestos, pequenas coisas, podemos fazer mais. Todos nós temos de fazer escolhas, é como se estivéssemos num labirinto e temos uma porta boa e uma porta má. Temos de ir pela porta boa, porque já não há maneira, se formos pela porta má isto vai piorar. Temos de escolher a porta boa", disse à agência Lusa o vereador da Câmara Municipal de Lisboa responsável pelos pelouros do Ambiente, Estrutura Verde, Clima e Energia, José Sá Fernandes, numa antecipação da abertura oficial da Lisboa Capital Verde Europeia 2020, marcada para este sábado.

Metas para cumprir ao longo da década

Sendo Lisboa a Capital Verde Europeia, os objetivos implementados pela Câmara Municipal de Lisboa passam por várias áreas, começando pela energia. O município pretende reduzir as emissões de dióxido de carbono até 2030, atingindo a neutralidade carbónica até 2050; aumentar a poupança energética, diminuindo o consumo em 60%; limitar em 67% o consumo energético na iluminação pública; aumentar a produção de energia solar; erradicar a "pobreza energética" até 2050, aumentando o conforto nas casas e concluir, em Carnide, uma central fotovoltaica para abastecimento da frota elétrica da Carris.

Também há metas no que toca aos resíduos. A Câmara Municipal de Lisboa pretende diminuir em 50% os resíduos indiferenciados que são enviados para a reciclagem; implementar até 2030 em toda a cidade a recolha seletiva, porta a porta, de biorresíduos; aumentar dos atuais 28% para 50% a taxa de recolha seletiva de resíduos; atingir, até 2030, 60% na taxa de reciclagem e reduzir a produção de resíduos per capita em 15% até 2030.

Já para a mobilidade, o município quer criar 410 novos autocarros de elevado desempenho ambiental até 2023; duplicar a frota de elétricos rápidos; aumentar em 40% a oferta de transportes públicos rodoviários na área metropolitana de Lisboa; expandir a rede do metro; renovar a frota da Transtejo e criar uma infraestrutura circular que ligue toda a cidade.

Sá Fernandes sublinha que há que esperar pelo arranque das obras do metro para se ter uma cidade "ainda mais abrangente" e apostar na ferrovia. "Uma grande aposta que penso que é decisiva é a ferrovia, a que já existe e uma que tem de ser ligada - não compete à Câmara, mas tem de se ligar a linha de Cascais à linha de Cintura", acrescentou.

A Câmara de Lisboa tenciona também expandir a infraestrutura verde e a biodiversidade, criando mais 100 hectares de zonas verdes até 2021para que 25% da cidade seja composta por espaços verdes até 2022; fazer com que 90% da população de Lisboa, até 2021, habite a menos de 300 metros de um espaço verde com pelo menos 2.000 metros quadrados; criar mais sombras para combater as ondas de calor, plantando anualmente 25.000 árvores e arbustos e resistir à escassez de água, aumentando em 75% a área de prados de sequeiro.

O verde da cidade foi, segundo Sá Fernandes, "uma peça fundamental" para Lisboa ganhar o prémio que até agora tinha distinguido "aquelas que são referência sempre que se fala de sustentabilidade e ambiente", como Copenhaga, Estocolmo e Oslo.

Por último, em relação à água, pretende-se instalar um sistema de rega e lavagem de ruas com água reciclada e reutilizada que, em 2025, entrará em pleno funcionamento; poupar 25% de água através de um programa de eficiência hídrica e investir na drenagem da cidade através, por exemplo, da criação de várias bacias de retenção naturais para minimizar os efeitos das cheias. O autarca Sá Fernandes reforçou também a necessidade de Lisboa começar "a pensar que é uma cidade do Sul da Europa" e que tem de se "preocupar com a escassez".

Atividades programadas para o dia da inauguração

A cerimónia de inauguração da Capital Verde Europeia 2020 acontece este sábado, dia 11 de janeiro, às 15h00, no Parque Eduardo VII. Para este dia, estão agendadas várias atividades, de entre as quais, a passagem de testemunho de Oslo para Lisboa e um "flash mob" com a presença do Presidente da República, do Secretário-Geral da ONU e do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

Ainda neste dia vai passar, no cinema de São Jorge, o primeiro episódio da série documental "É P'ra Amanhã". Inspirada pelo documentário francês "Demain", a equipa que produziu e realizou esta série decidiu partir ao encontro de "pessoas e iniciativas em Portugal que trabalham diariamente para construir um futuro mais sustentável", lê-se no site oficial. A série tem como tema principal a sustentabilidade em Portugal e é dividida em cinco episódios que abordam assuntos diversos: a alimentação, a energia e mobilidade, a economia, a política e a educação.

Uma das exposições que também inaugura este sábado é a "One - O Mar como nunca o sentiu", que vai estar presente no Oceanário até 11 de fevereiro. Trata-se de uma instalação artística que permite, a quem a visitar, uma "experiência imersiva" com imagens vídeo do mar português projetadas em telas gigantes.

Um ano de iniciativas, conferências e exposições sobre o meio ambiente

No âmbito da Capital Verde Europeia 2020, ao longo do ano, estão também previstas diversas iniciativas, exposições, conferências, espetáculos e festivais sobre a sustentabilidade ambiental e outras questões como as alterações climáticas, a reciclagem, a natureza e a biodiversidade, a água ou a energia e a luz.

No domingo, dia 12 de janeiro, no âmbito da iniciativa "Plante a sua árvore", vão ser plantadas 20.000 árvores: 4.000 em Rio Seco, na Ajuda; 6.000 no parque do Vale da Ameixoeira, em Santa Clara; 9.000 no parque do Vale da Montanha, na zona do Areeiro e Marvila e 1.000 no corredor verde de Monsanto. O objetivo é ter mais 100.000 árvores na cidade de Lisboa até 2021.

De 27 de janeiro a 2 de fevereiro, no LU.CA - Teatro Luís de Camões vai estar presente a exposição "Bonecos salgados". Haverá esculturas feitas com o lixo encontrado nas praias que têm o objetivo de consciencializar as crianças para a problemática da poluição do plástico que aparece na costa e no mar. Os objetos são desenhados por Ricardo Nicolau que, inspirado por esta iniciativa, criou também três bancos de exterior, feitos deste mesmo material.

durante o mês de abril, a Câmara Municipal de Lisboa vai inaugurar o ReMuseu (Museu da Reciclagem), em Alcântara, próximo do rio Tejo. Trata-se de um espaço museológico temporário dedicado à reciclagem. Ainda neste mês, entre os dias 1 e 3, vão decorrer conversas com pessoas vindas de todo o mundo que, de forma visionária, têm agido para mudar o modo de funcionamento das cidades. Estas conferências intituladas de "Urban Future Global Conference" estarão divididas entre o Pavilhão Carlos Lopes, a Estufa-Fria e a Fundação Calouste Gulbenkian.

Em maio, nos dias 21 (Dia Mundial da Árvore), 23 (Dia Internacional da Biodiversidade) e 24 (Dia Europeu dos Parques Naturais), no âmbito de uma investigação do Centro de Arqueologia de Lisboa sobre a Pré-História da cidade haverá três passeios para explorar Monsanto. Para os dias 22 e 23 do mesmo mês, no Centro Cultural de Belém, a companhia francesa de teatro "Les ombres portées" propõe uma viagem designada de "Les Somnambules" a uma cidade em transição com a ajuda de uma maquete à escala, quatro marionetistas e dois músicos para contar a história de um bairro prestes a ser demolido para dar lugar a uma cidade moderna.

No Museu de Lisboa, entre 7 de maio e 1 de dezembro vai estar presente a exposição "Cultivar: as hortas de Lisboa" que mostrará a importância das hortas urbanas e onde serão abordados temas sobre a água e os trajetos de pessoas, plantas, sementes, ideias e práticas.

No dia 1 de junho, a Fundação Calouste Gulbenkian recebe a abertura da conferência "Green Week 2020", uma iniciativa da Comissão Europeia, que decorre em Bruxelas, na Bélgica. No dia seguinte, realiza-se a segunda edição da conferência da ONU sobre os oceanos, que se estende até ao dia 6 do mesmo mês.

As escolas também vão ser integradas na Capital Verde Europeia 2020. Foi criado o projeto "A Minha Capital é Verde" que conta com vários concursos ambientais com o propósito de informar, participar, valorizar, debater e envolver as comunidades escolares relativamente aos assuntos sobre o meio ambiente e a sustentabilidade.

Consulte os detalhes da programação Lisboa Capital Verde Europeia 2020 aqui.

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