Casa do Impacto promoveu mais de duas mil videoconsultas de apoio psicológico

O projeto Acalma, uma plataforma de apoio psicológico gratuito criada pela Casa do Impacto, surgiu durante o confinamento e contou com 100 psicólogos voluntários.

Entre abril e julho, a plataforma de apoio psicológico gratuito criada pela Casa do Impacto, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), registou a marcação de mais de duas mil consultas online.

A plataforma Acalma.online começou a ganhar forma quando o país mergulhou em estado de emergência e os portugueses foram obrigados a ficar em casa.

Inês Sequeira, diretora da Casa do Impacto e diretora do departamento de empreendedorismo e economia social SCML, explica que a ideia surgiu quando começou a receber relatos dos efeitos do isolamento.

"Comecei a perceber que muitas das pessoas com quem eu falava estavam a sofrer claramente com o isolamento. Pessoas que normalmente eu considerava calmas. Via muita gente com problemas em dormir, inclusivamente uma ou outra pessoa tiveram, pela primeira vez na vida, ataques de pânico", explica.

A Casa do Impacto acolhe start-ups que trabalham com o tema da saúde mental e em poucos dias tinham a plataforma a funcionar.

Cerca de 100 psicólogos voluntários disponibilizaram-se para fazer videoconsultas, através de um modelo de intervenção em crise, com o objetivo de proporcionar as ferramentas necessárias para conseguir controlar sintomas desenvolvidos durante a pandemia.

Entre esses 100 profissionais está Sofia Pais. A psicóloga quis usar o tempo livre para ajudar e juntou-se ao Acalma.

"Eu senti que tinha que estar na linha da frente. Tinha todas as técnicas, tinha tudo, tinha que ajudar. Quando eu li qual era o objetivo do Acalma, identifiquei-me logo com o projeto", explica.

Todos os psicólogos passaram por uma formação de um modelo de intervenção em crise para poderem responder a todo o tipo de casos. A psicóloga Sofia Pais recebeu contactos de várias pessoas.

"Apareceram-nos aquelas pessoas que não tinham qualquer tipo de patologia e que, de repente, se viram invadidas por esta coisa estranha, por estes tempos estranhos. Queriam apenas validar que, aquilo que estavam a sentir, estava adequado aquela situação. Depois, pessoas que já traziam patologias e que este confinamento fez aumentar a dimensão disto tudo."

De acordo com um relatório da Casa do Impacto, os principais sintomas referidos no teste de diagnóstico são o medo ou ansiedade (17%), preocupação com o futuro (17%), isolamento social (15%), tristeza (15 %) e dificuldades de adaptação ao contexto profissional atual (14%).

Os dados mostram ainda que os beneficiários das consultas tinham idades entre os 17 e os 74 anos, 68% eram mulheres e 67% tinham formação superior.

A psicóloga explica que o objetivo do projeto foi fazer uma primeira abordagem à saúde mental, uma "espécie de primeiros socorros psicológicos", um trabalho diferente da psicoterapia.

Sofia Pais afirma que o o confinamento deixou efeitos que já se começaram a manifestar como alterações de sono e somatizações.

"Somatizações? Eu explico. O corpo acaba por falar connosco. Por exemplo, taquicardias, excesso de ansiedade, alergias, idas frequentes à casa de banho, tudo o que esteja ligado com o intestino", exemplifica.

Os efeitos preocupam a psicóloga que teme o piorar da situação.

"Hoje em dia temos pessoas que têm medo de regressar ao emprego, têm receio de se cruzar com pessoas. Temos pessoas que são obrigadas a usar a usar transportes e que a insegurança instala-se. Portanto, está tudo por fazer, temos muito trabalho", garante.

Terminado o confinamento, o Acalma.online encontra-se em fase de encerramento.

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