Casal quase comprou Teatro de Portalegre, mas desistiu após pagar sinal

Há um ano o histórico Teatro Portalegrense foi posto à venda no OLX. 350 mil euros era o preço pedido pela proprietária, um privado a quem o sexto teatro mais antigo do país foi parar aos braços por herança. Nada se alterou até hoje, mas têm aparecido interessados. E até com projetos arrojados

O Teatro Portalegrense esteve a um passo de ser comprado há um ano, quando a notícia da sua venda teve eco na comunicação social à boleia do OLX . Choveram interessados e visitas ao imóvel, até que um casal chegou a celebrar contrato promessa de compra e venda com a proprietária.

Alexandra Sequeira relata à TSF que "a mulher, uma italiana, era dedicada à parte da gastronomia e o homem, do Norte do país, dedicava-se ao teatro".Tinham o projeto de construir um hotel para retiro de artistas e fazerem uma cozinha no palco, onde teatro e gastronomia iriam "contracenar". O público teria a oportunidade de provar os pratos enquanto assistia às peças.

Mas apesar de ter pago o sinal monetário relativo ao contrato promessa, o casal recuou à medida que foi assistindo à falta de dinâmica da região. "Começaram a visitar Portalegre com mais frequência para encontrarem pessoas que pudessem fazer a reforma do teatro e perceberam como era Portalegre. Não sei se se assustaram, mas disseram que, afinal, se tinham enganado e que se precipitaram com o negócio", relata Alexandra Sequeira.

O teatro continua à venda pelo valor de 350 mil euros em pleno centro de Portalegre.

Foi inaugurado a 20 de junho de 1854 com o drama "O Alfageme de Santarém", de Almeida Garret. As primeiras décadas foram de muita produção teatral, mas o edifício foi somando degradação. Recebeu a derradeira sessão em 1985, tendo Amélia Rey Colaço efetuado uma última aparição durante a peça "El-Rei Sebastião", de José Régio

Já antes o avô de Alexandra Sequeira tinha comprado o teatro, que ainda foi sede de um clube desportivo tendo também acolhido sessões da Igreja Universal do Reino de Deus.

A proprietária recusa investir na requalificação do edifício, alegando que o imóvel "é atípico, não dá para escritórios, não dá para habitação. Mas se alguém tivesse interessados em alugar até poderíamos fazer a parte da manutenção. De outra forma seria atirar dinheiro fora", assume a proprietária, enquanto se queixa do valor do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) pago anualmente pelo edifício.

Contactada pela TSF, a Câmara de Portalegre mantém o que disse: não pode recuperar nem comprar o imóvel, apesar do seu valor histórico e patrimonial. Aliás, quem comprar o teatro terá regras a cumprir, uma vez que o edifício está numa zona de proteção de património.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de