Casas de parto propostas na AR. "Gastam menos dinheiro ao Serviço Nacional de Saúde"

A deputada não inscrita Cristina Rodrigues apresenta esta segunda-feira ao Parlamento uma proposta para a criação de casas de parto, uma solução que, diz, é mais barata para o SNS e mais segura e confortável para as mães.

A deputada Cristina Rodrigues apresenta esta segunda-feira uma proposta para que sejam criadas casas de parto, também designadas centros de nascimento, para que as mulheres tenham mais autonomia e controlo quando dão à luz.

O momento do parto é encarado, mediante a filosofia destes lugares, de uma forma mais natural e fisiológica, com um acolhimento e conforto que diferem dos encontrados em ambiente hospitalar, retrata a deputada não inscrita, em declarações à TSF. A proposta assenta assim na criação de centros "destinados a mulheres saudáveis, que tenham gravidezes de baixo risco, sem complicações".

"O que propomos é que sejam localizados em unidades hospitalares que possuam a valência de ginecologia e obstetrícia, constituindo ou uma ala desta unidade ou um edifício próprio e autónomo, desde que situado na imediação dos hospitais, para, no caso de haver alguma complicação, as mulheres poderem ser imediatamente transferidas para os hospitais", completa Cristina Rodrigues.

A proposta de Cristina Rodrigues surge na sequência de uma petição que pede a abertura de casas de parto em Portugal. A deputada sublinha que a experiência de outros países demonstra o grau de segurança, sobretudo durante uma pandemia. "Em tempo de Covid, é especialmente seguro. Aliás, noutros países, onde já existem estes centros, nomeadamente no Reino Unido, o que se tem verificado é que estes centros acabam por ser mais seguros do que os hospitais."

De acordo com a deputada, os números sugerem que é necessário proporcionar uma "experiência de parto mais positiva para a mulher e para as famílias", já que, "no inquérito que foi promovido pela Associação pelos Direitos da Mulher na Gravidez e no Parto, em 2015, quase metade das mulheres referiu não ter ficado satisfeita com a sua experiência de parto".

Nas casas de parto, as mulheres contam com a ajuda da parteira e da doula, esta última o ofício de Sara do Vale, que assinala benefícios destes centros: "Gastam menos dinheiro ao Serviço Nacional de Saúde, porque lidam com partos de baixo risco e não se colocam questões de intervenções, medicamentos e exames em mulheres de baixo risco."

"Podemos quase afirmar que a casa de parto é um meio-termo entre o parto hospitalar e o parto domiciliar", analisa Sara do Vale, também fundadora da Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto. Estas instituições são mais baratas e amigas das mulheres já que permitem "que o parto se desenrole de forma natural e fisiológica" e tornam possível "acolher partos que poderiam ocorrer em casa, mas que as mulheres preferiam que acontecessem numa instituição", salienta.

A criação de casas de parto não é nova: tem mais de uma década. Em 2019, Sara do Vale criou uma petição para a implementação de casas de parto em Portugal. Esta segunda-feira é a vez de Cristina Rodrigues apresentar a proposta numa iniciativa parlamentar.

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