Casas dos vistos gold emprestadas para quarentenas de chineses em Portugal

Numa logística complexa, comunidade chinesa organiza-se para garantir que quem chega da China fica 14 dias isolado.

As autoridades portuguesas de saúde não o exigem nem aconselham, mas há mais de duas semanas que a Liga dos Chineses em Portugal pede aos chineses que vêm da China, mesmo de longe da cidade de Wuhan (o epicentro do coronavírus), que fiquem isolados, por precaução, numa espécie de quarentena.

Contudo, a maioria não pode ficar isolada em casa pois, por norma, os chineses vivem com a família ou com outras pessoas com quem trabalham, o que levou o centro de apoio à comunidade, criado pelo governo chinês e por associações de chineses em Portugal, a procurar casas onde quem chega da China possa ter um quarto só para si e entrega de comida.

O presidente da Liga, Y Ping Chow, explica à TSF que, até agora, conseguiram algumas casas, grandes, na região de Lisboa, com capacidade para cerca de quarenta a cinquenta pessoas.

As casas foram cedidas por chineses com imóveis vazios comprados ao abrigo do programa dos vistos gold e há mais ofertas em cima da mesa, com a mesma origem, de investidores chineses com este tipo de autorizações de residência, pelo que dificilmente existirá falta de espaço.

O representante da comunidade detalha que as casas que já estão a ser usadas estão cheias e, naturalmente, com o passar do tempo, há cada vez mais chineses a chegar. De Coimbra existiu, entretanto, um pedido de auxílio para encontrar um imóvel que receba os estudantes chineses que começam a chegar da China para o segundo semestre de aulas na universidade.

Lavar roupa e levar comida a quem está isolado

A Liga conta que tem "bastantes" ofertas de proprietários com visto gold, bastando à comunidade comprar camas ou alguma mobília. Y Ping Chow acrescenta que estão a ter muita procura de quem chega da China e nos casos que conhece todos os chineses aceitam voluntariamente participar na quarentena, numa logística complexa.

Por exemplo, a comida, na zona de Lisboa, está a ser levada por colegas e/ou compatriotas dos restaurantes das imediações que deixam as três refeições diárias à porta. Depois, "além das refeições é preciso lavar as roupas". "Não basta colocar as pessoas num quarto fechado", conclui o presidente da Liga dos Chineses em Portugal.

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