Caso RTP. "Não houve falha deontológica e não ficou provada nenhuma interferência política"

Maria Flor Pedroso já selou com mira técnica a passagem pela direção de Informação da RTP, e afirma que este " é um processo encerrado" com a decisão tomada pela CCPJ.

"É uma página virada." Pouco mais de um mês depois de ter deixado para trás a direção de informação da RTP, Maria Flor Pedroso reitera não ter havido qualquer falha deontológica e que não ficou provada qualquer interferência política. Maria Flor Pedroso pôs o lugar à disposição em dezembro de 2019, e o Conselho de Administração da RTP aceitou, considerando "não ter outra alternativa, face aos argumentos apresentados".

Ouvida por Teresa Dias Mendes, no programa da TSF Uma Questão de ADN, a antiga diretora de informação da RTP admite que mudaria alguns aspetos no percurso na RTP, mas não a forma como lidou com a polémica que surgiu em torno de um relato feito pela coordenadora do "Sexta às 9", a 11 de dezembro, numa reunião com o Conselho de Redação a propósito do programa sobre o lítio. Na altura, Sandra Felgueiras acusou Maria Flor Pedroso de ter transmitido informação privilegiada à visada na reportagem, a diretora do ISCEM, Regina Moreira, o que a diretora de informação da RTP "rejeitou liminarmente".

"Mudaria, claro que sim. Não vou dizer o que faria, mas o que faz sentido dizer é que foi um ano e três meses, não foi tão pouco tempo assim." Não foi "tão pouco tempo", e até "houve diretores de informação que duraram menos", assinala a diretora de informação demissionária que diz guardar memórias valiosas do seu percurso na RTP. "Foi uma experiência profissional interessantíssima. Tive a possibilidade de ter pessoas de eleição e de exceção como equipa diretiva, e, neste momento, esse é um assunto encerrado, uma vez que a Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas (CCPJ) resolveu nem sequer abrir processo sobre o meu caso."

O primeiro pedido data de 27 de Janeiro. Três dias depois, a jornalista insiste:"Foi público o pedido de esclarecimentos que a CCPJ fez ao Conselho de Redacção da DITV. Foi pública a posição CR. Mas não foi pública a posição da CCPJ sobre a avaliação feita a partir dos esclarecimentos que pediu. "

E foi a 5 de fevereiro que recebeu a resposta: uma linha. "Em resposta à sua solicitação, informamos que a CCPJ entendeu não haver matéria para abrir qualquer processo disciplinar."

A jornalista salienta que a decisão do órgão fiscalizador das normas de exercício da profissão foi perentória. "Tinha havido um plenário que representou apenas uma parte da redação da RTP, e este tinha dado conta de falhas deontológicas, e o que interessa é a deliberação a pedido da Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas." Maria Flor Pedroso também lembra que os "membros eleitos do Conselho de Redação fizeram questão de nominalmente assinar, cada um, uma deliberação".

Essa deliberação, refere, considera não ter havido "nenhuma atitude que tenha posto em causa a RTP, nem isso seria possível", nenhuma falha deontológica, nem "qualquer interferência política nas decisões que a direção tomou, nem isso poderia acontecer". Maria Flor Pedroso assinala o seu percurso profissional como uma garantia de que não poderia ter cometido erros de que a acusaram: foi "diretora de política da Antena 1 durante 15 anos, repórter parlamentar durante 26 anos" e conhece "muito bem o fenómeno político".

"Conheço muito bem alguns dos políticos que estão em funções, e, portanto, seria impensável da minha parte, e até da parte deles, pensar que teriam algum grau de influência nas decisões que eu tomasse", assevera.

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