Cenário sem restrições pode trazer "nova onda epidémica" no próximo inverno

Epidemiologista do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge admite que o país continua "com nível de incidência muito elevada".

O epidemiologista do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) Baltazar Nunes referiu-se esta quarta-feira de manhã à situação epidemiológica em Portugal, apontando cenários que foram desenhados no início deste ano e que têm um alcance mais longo, agora que a pandemia se encontra em fase decrescente.

"O risco de transmissibilidade é efetivamente é mais baixo", assinalou o especialista, fixando o Rt atual em 0,76 [para efeitos de comparação, no Natal foi atingido o 1,53. Ocorreu depois um período de elevação].

Há "cerca de nove dias" passou a verificar-se uma redução de metade dos casos diários, o que faz Baltazar Nunes prever que "em dois meses possa ser atingido um valor muito mais baixo". E admite também que "continuamos com nível de incidência muito elevada", mas mantendo uma expectativa otimista, já que a maioria dos países continua em fase decrescente, exceto Estados como a Dinamarca e a Noruega, que estão em transição.

Quanto à perda de proteção da vacina, importa saber o que acontecerá à medida que os anticorpos forem desaparecendo. Colocado em cima da mesa o cenário de ausência de novas restrições, o especialista conclui que, à medida que a população vai perdendo a proteção, "em setembro, outubro ou no próximo inverno, pode ocorrer uma nova onda epidémica". Este é um cenário que não inclui qualquer medida de mitigação, volta a salvaguardar.

Existe uma perda de proteção intermédia, face ao domínio da variante Ómicron. Para o futuro, importa compreender este possível padrão de sazonalidade e acompanhar o que trará a introdução ou não de uma nova variante. Vai depender, segundo o epidemiologista do INSA, muito do período em que surja e da capacidade de fuga ao sistema imunitário. Como o tempo de proteção vacinal é de cerca de um ano, o especialista aconselha que se mantenha uma monitorização atenta nos próximos meses.

Até agora, manteve-se o cenário de perda intermédia de imunidade conferida pela vacinação. A combinação da cobertura vacinal de reforço e a variante menos severa traduzem-se num impacto muito menor nos cuidados de saúde.

Em janeiro de 2021, o número de óbitos foi muito superior ao registado nos restantes anos anteriores. Agora, a combinação de várias medidas, a cobertura vacinal e o surgimento e domínio de uma variante que produz doença menos grave levaram a que fosse atingida um número de mortos "ao nível de um inverno com baixa mortalidade".
Por isso, Baltazar Nunes refere o "potencial" de adotar algumas destas medidas preventivas para evitar períodos de infeções respiratórias, dada a sazonalidade já reconhecida destas patologias.

"A atividade epidémica é mais intensa durante outono/inverno do que na primavera/verão", reconhece o especialista. "Há um potencial de sazonalidade" na circulação do coronavírus e na doença Covid-19, e uma maior atividade epidémica e ocupação de camas no outono/inverno fornecem pistas em relação aos padrões epidémicos para o futuro.

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