Chefes do Garcia de Orta não querem trabalhar com "equipas desfalcadas"

Bastonário da Ordem dos Médicos deixou, na TSF, críticas ao Governo.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, afirma que os chefes de equipa do Hospital Garcia de Orta que apresentaram a demissão não querem trabalhar com equipas desfalcadas e alerta que o problema vai agravar-se numa altura em que a afluência às urgências é maior.

"As equipas programadas nas escalas para o mês de dezembro são equipas que estão muito incompletas, não têm os elementos que devem ter em termos daquilo que é a constituição tipo e, portanto, os chefes da equipa de urgência obviamente que não querem estar a trabalhar com equipas completamente desfalcadas. Estamos sempre a negar a evidência todos os dias quando sabemos que, no mês de dezembro, a afluência de doentes ao serviço de urgência vai ser cada vez maior. Agora estamos num pico na área da pediatria e vamos ter um pico de adultos dentro de pouco tempo", explicou à TSF Miguel Guimarães.

Miguel Guimarães deixa também críticas ao Governo. Para o bastonário, nada está a ser feito pela tutela para resolver o problema.

"Está a acontecer e nada está a ser feito pela tutela de substantivo para tentar evitar esta situação. Claro que evita-se com mais tempo de antecedência, é verdade, mas neste momento há uma coisa que não é aceitável: ter muito menos médicos para as equipas quando se tem muitos mais doentes. É completamente catastrófico e os chefes de equipa não querem estar a ter a responsabilidade enorme de ver chegar uma equipa de urgência sem as condições mínimas adequadas para dar resposta às necessidades dos doentes", acrescentou o bastonário da Ordem dos Médicos.

Os chefes de equipa do Serviço de Urgência Geral (SUG) do Hospital de Almada apresentaram na segunda-feira a demissão dos cargos em protesto com a escala de dezembro, que consideram estar "abaixo dos mínimos".

Numa carta dirigida ao diretor clínico do Hospital Garcia de Orta, em Almada, à presidente do Conselho de Administração e à diretora do Serviço de Urgência, os chefes de equipa explicam que na escala prevista constam vários dias com um número de elementos abaixo dos mínimos (um ou dois elementos apenas) para garantir o bom funcionamento do serviço.

Na missiva, os médicos salientam ainda que entre estes quatro elementos "muitas vezes estão contemplados colegas sem autonomia para exercer".

A equipa de tarefeiros, composta em média por quatro elementos e que assegura a observação de doentes na zona de ambulatório e área de observação clínica, "são na maioria pouco diferenciados, com necessidade constante de apoio e discussão com os elementos mais diferenciados das equipas médicas", acrescentam.

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