Cheias no Mondego. Chega ao fim a primeira fase de levantamento de prejuízos

O período de levantamento de prejuízos de agricultores e viveiristas afetados pelas cheias do Mondego termina esta segunda-feira. O apoio anunciado pelo Ministério da Agricultura abrange despesas com animais, viveiros ou máquinas, mas há casos que vão ficar de fora.

A terra deu lugar à areia no terreno de António Carlos Arnaut. E agora há um buraco enorme que foi cavado pela água. Um dos diques que rebentou em Montemor-o-Velho fica do outro lado da estrada e as consequências ainda são visíveis.

Para voltar à normalidade, António tem muito trabalho pela frente. Vai ter de "drenar a água, tapar o buraco e repor a terra; retirar a areia, as árvores e os bocados de betão do canal de rega". Depois, explica, vai ser preciso "fazer uma análise dessa terra e se é produtiva ou se haverá necessidade de fazer alguma correção".

António Carlos Arnaut prevê gastar milhares de euros para ter terreno cultivável. Está a fazer levantamento de prejuízos, mas ainda não sabe que apoio vai ter e critica a medida anunciada pelo Governo: "Tanto quanto sei, a partir dos cinco mil euros de prejuízos, o Governo só vai comparticipar numa determinada percentagem. Logo, a medida é injusta".

"Esta limpeza não deveríamos ser nós a fazê-la nem a custeá-la, porque a responsabilidade de rebentamento do dique não foi nossa", reforça.

Também Alcino Vagos tem feito as contas ao que perdeu em 45 hectares de terreno que alagou. Vai conseguir apoio para comprar alfaias e equipamentos de rega que se estragaram, mas tem 200 mil euros de prejuízo em culturas que não vai conseguir recuperar porque "o seguro não tem cobertura para este tipo de sinistro, que é o rebentamento de um dique".

"A reposição do potencial produtivo só ajuda em culturas plurianuais. Como as minhas culturas são anuais, fica fora do enquadramento das ajudas" anunciadas pelo Governo, lamenta. Alcino Vagos já fez um pedido de reunião à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), mas, até agora, não obteve resposta.

A APA continua no terreno com trabalhos de recuperação e vai reavaliar o sistema hidráulico para melhorar a monitorização. Apesar da reparação dos diques, que ainda não está terminada, António Carlos Arnaut não fica descansado porque considera que não há limpeza do rio.

"O leito de cheia da margem esquerda do Mondego, uma zona que foi projetada para ser ocupada pela água em situação de cheia, está completamente arborizado", critica. Logo, "quando a água vem rio abaixo, encontra aquele espaço ocupado" e sobe a margem do rio.

Os dados mais recentes da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, revelados à TSF, indicam que já foram contabilizados 16 milhões de euros de prejuízos. No entanto, o número deve subir porque ainda não foram contabilizados todos os municípios.

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