Ciclone Danielle deixa "cenário de destruição" em freguesia da Serra da Estrela 

A chuva que se vai fazer sentir até quarta-feira provocou deslizamentos de terras nas áreas afetadas pelo incêndio de agosto na serra da Estrela. Oito carros foram arrastados pela força das águas, quatro dos quais foram parar ao rio e estão desaparecidos.

A chuva intensa que caiu esta segunda-feira à noite provocou estragos na freguesia de Sameiro, no município de Manteigas, Serra da Estrela.

Através do Facebook, o presidente da Câmara Municipal de Manteigas, Flávio Massano, dá conta de "um cenário de destruição" provocado por deslizamentos de terras e inundações.

"Os danos são enormes, várias viaturas foram arrastadas pela força da água, temos casas e negócios afetados, estradas, iluminação pública, infraestruturas de água e saneamento, equipamentos desportivos e lúdicos, entre outros."

Foi encerrada a estrada regional 338 e ativado o Plano de Emergência Municipal, tendo sido mobilizados para o local elementos dos bombeiros, sapadores, GNR e civis que efetuam trabalhos conjuntos de desobstrução de canais, vias e habitações sob a orientação da Proteção Civil.

Não há registo de feridos nem desaparecidos, acrescenta Flávio Massano na mesma publicação.

Em reportagem no local, a jornalista da TSF Madalena Ferreira dá conta de pelo menos oito carros arrastados pela força das águas, incluindo quatro carros que avariaram e outros quatro que acabaram por ser levados para o rio Zêzere e que estão desaparecidos.

No centro da freguesia a água subiu entre quatro a cinco metros, alagando caves, o edifício da junta de freguesia e uma mercearia. Há danos em vários equipamentos públicos, incluindo a piscina municipal, que ficou completamente coberta de lama.

Segundo fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) da Guarda, contactada pela agência Lusa, pelas 03h48 foi dado o alerta para um movimento de massa (deslizamento de terras) na localidade de Sameiro.

A fonte referiu que, devido à chuva que caiu com intensidade nas áreas que foram destruídas pelo incêndio que atingiu a serra da Estrela no mês de agosto, ocorreu um movimento de terras e os detritos "foram para o leito do rio [Zêzere] que ficou alagado".

Esta segunda-feira, a Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela (ASE) defendeu a aplicação de medidas urgentes para evitar a erosão dos solos e a escorrência das águas das encostas ardidas para evitar deslizamentos de terras.

Em declarações à Lusa, o presidente da ASE, José Maria Saraiva, alertou para a urgência no derrube de arbustos e de árvores para que possam constituir "um emaranhado de obstáculos à escorrência das águas e lixiviação das encostas" em zonas de declive acentuado.

"As entidades mobilizaram-se e, algumas equipas de sapadores dos Baldios, estão no terreno a semear centeio nas linhas de cabeceira, numa tentativa de evitar que as primeiras chuvas que se avizinham não provoquem maiores danos, arrastando as terras que muita falta fazem para suportar as plantas", acrescentou.

A Proteção Civil registou esta segunda-feira 165 ocorrências relacionadas com o mau tempo no continente, sobretudo inundações e queda de árvores, enquanto os Bombeiros Sapadores assinalaram em Lisboa outras 106 ocorrências relacionadas com a chuva que caiu na capital.

Quinze distritos de Portugal continental e os grupos ocidental e central dos Açores estão esta terça-feira sob aviso amarelo devido à previsão de chuva por vezes forte e ocasionalmente acompanhada de rajadas fortes associadas ao ciclone extratropical Danielle.

Segundo o IPMA, este cenário deverá manter-se ao longo da semana, embora com menores quantidades de precipitação acumulada a partir de quarta-feira.

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