Cinema português marca edição de "resistência" do CineEco

A edição número 26 do CineEco não só sobreviveu à pandemia como contou com a maior participação de sempre de realizadores portugueses.

A longa-metragem "O que arde", de Oliver Laxe, conquistou o "Grande Prémio Ambiente - Município de Seia"na 26ª edição do CineEco, que decorreu ao longo de toda a semana na cidade de Seia, na Serra da Estrela.

Mas há outros vencedores sublinhados neste festival, como é o caso da curta-metragem de animação portuguesa, da autoria de Bruno Caetano, "O Peculiar Crime do Sr. Jacinto", que arrecadou o Prémio Educação Ambiental - Associação Mares Navegados e o Prémio da Juventude Curta-Metragem Internacional.

De acordo com a direção do Festival, esta foi uma edição de "dupla resistência", porque o festival foi mantido em tempo adverso de pandemia, com a maior participação de sempre de realizadores portugueses. Um crescimento que, para a organização, reflete também a cada vez maior qualidade do cinema ambiental português.

Estiveram presentes mais de 70 longas e curtas-metragens, oriundas de 25 países, na edição deste ano. Um festival assumido como de "dupla resistência", pois "por um lado foi o manter um festival no calendário dos festivais nacionais e internacionais e depois também pelas decisões do município de mantê-lo neste período adverso".

Em plena pandemia, foi possível ver filmes em segurança e cumprindo as regras da Direção Geral de Saúde, sem comprometer a qualidade do festival e dos filmes, afirma Mário Jorge Branquinho, da direção do Festival: "foi uma celebração do cinema ambiental, com o melhor da produção internacional".

Todos os anos chegavam a Seia realizadores de cinema internacionais. Este ano, fez-se com a prata da casa. "Contou apenas com a presença de realizadores portugueses, que, por sinal, eram quase metade da programação". Uma quantidade maior, que não descurou a qualidade, tendo sido "o melhor ano de sempre da produção portuguesa no CineEco".

Uma celebração do cinema ambiental nas suas muitas vertentes, com filmes internacionais, nacionais, mas também documentários regionais e locais, no ano que teve a maior participação portuguesa e como um dos vencedores Tiago Cerveira. O jovem realizador de Oliveira do Hospital conquistou, pelo segundo ano consecutivo, o prémio regional, em documentário, desta feita com "Máscara de Cortiça", rodado nas aldeias de xisto de Góis. "

Um filme que "retrata e homenageia as aldeias serranas e de xisto de Góis com aquilo que é um Entrudo tipicamente português". Uma característica do realizador, que tem pautado o seu trabalho por "homenagear pessoas". Neste caso, a homenagem direciona-se também a Manuel Claro, um dos protagonistas do filme, que morreu estava este ainda na fase de pós-produção.

Em relação ao CineEco, Tiago Cerveira afirma que o Festival Internacional de Cinema Ambiental "representa uma valorização dos realizadores locais", considerando que, "por vezes focamo-nos só em trazer algo que engrandeça o nosso local e esquecemos os que estão a trabalhar de dentro para fora e o CineEco tem sabido fazê-lo muito bem".

A 27ª edição do Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela realiza-se de 9 a 16 de outubro de 2021, em Seia.

O CineEco é organizado pelo Município de Seia, com o Alto Patrocínio do Presidente da República e do Departamento de Ambiente das Nações Unidas.

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