Comer por prazer. Fome hedónica piorou alimentação de muitos portugueses na pandemia

Portugueses com nível elevado de fome hedónica foram aqueles que mais adotaram comportamentos alimentares menos saudáveis.

A pandemia mudou os hábitos alimentares de mais de um terço dos portugueses e aumentou a vontade de muitos em comer apenas pelo prazer de comer e como.

A conclusão é de um estudo da Direção Geral da Saúde (DGS), em parceria com o Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, que indica que os hábitos alimentares e de atividade física dos portugueses se alteraram ao longo dos primeiros 12 meses de pandemia da Covid-19.

A coordenadora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da DGS, Maria João Gregório, explica à TSF que nuns casos as mudanças foram para melhor, mas noutros para pior, "parecendo que os dados se dividem".

Dos 36,8% de pessoas inquiridas que reportaram ter mudado os seus hábitos alimentares, comparativamente ao período pré-pandemia, 58,2% têm a perceção de que mudaram para melhor e 41,8% para pior.

Entre as mudanças, 32,2% passaram a recorrer a refeições take-away e 26,3% a consumir mais snacks doces.

Beber mais água foi uma tendência entre 22,3%, enquanto comer mais hortícolas foi comum a 18,6% e mais fruta a 15,2%.

Sobre o aumento de portugueses a comer mais vezes em casa, nuns casos essa mudança foi positiva, mas para outros foi negativa: "Temos também um conjunto grande de fatores relacionados com as alterações do apetite relacionadas com fatores emocionais ao longo do último ano que provavelmente foram mais penalizadores, contribuindo para alterações nos hábitos alimentares menos positivas", detalha a perita da DGS e investigadora da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto.

Aliás, o estudo agora revelado também procurou perceber como mudou a vontade de comer por puro prazer, nomeadamente para ultrapassar algum obstáculo pessoal - a chamada fome hedónica.

"A percentagem da população que identificámos com níveis elevados de fome hedónica neste período foi de 22% e quando fomos tentar perceber as características do grupo que passou a ter comportamentos alimentares menos saudáveis esta variável foi uma variável importante. Os inquiridos com nível elevado de fome hedónica foram aqueles que mais adotaram este comportamento alimentar menos saudável", conclui Maria João Gregório

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