Como a pandemia está a agravar os problemas de quem tem uma dependência

Arrumadores e pequenos traficantes estão quase sem atividade, os balneários públicos estão fechados e até comer num refeitório está mais difícil. Se a isto juntarmos a vida nas ruas, a Covid-19 obriga a um combate que vai muito além da doença.

Os toxicodependentes e os alcoólicos confrontam-se nesta altura com dificuldades ainda mais sérias. A DGS tenta dar-lhes resposta.

É esse o trabalho que está a ser desenvolvido pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), estrutura que faz parte da Direção-Geral de Saúde.

João Goulão, o diretor, dá conta de que com o confinamento e o estado de emergência, essas pessoas com uma vida mais desestruturada confrontam-se agora com mais problemas.

Desde logo, económicos : "Estamos a pensar nos arrumadores e atividades de pequeno tráfico, que neste momento praticamente não tem expressão. E por isso, essas pessoas estão em grandes dificuldades."

São circunstâncias da vida de pessoas, muitas sem-abrigo, que para além de não terem como sustentar o vicio deixaram também de poder cuidar da higiene, porque os balneários públicos estão fechados. Têm igualmente dificuldades em alimentar-se porque os refeitórios têm regras muito estritas para evitar a proximidade social.

Acresce a tudo isto outro problema: o da escassez dos produtos de que são dependentes. João Goulão dá conta da resposta que está a ser dada no caso dos toxicodependentes: "Traduz-se, por exemplo, na busca de terapêuticas de substituição opiácea, tratamentos com metadona, no caso de dependentes que de repente se veem confrontados com a impossibilidade de encontrar as substâncias das quais dependem."

No que toca aos alcoólicos, a resposta é ainda mais premente porque, explica o diretor do SICAD, a ameaça é maior: "A abstinência aguda de álcool pode pôr a vida em risco. Isso levanta-nos desafios, quer oferecendo desabituações seguras, quer equacionando novas respostas como sejam as chamadas wet houses onde há acesso a bebidas alcoólicas sob supervisão de profissionais de saúde."

João Goulão diz não acreditar que nos tempos mais próximos o estado de carência dos toxicodependentes e alcoólicos resulte num aumento da pequena criminalidade porque, com o país praticamente fechado e as pessoas em casa, os furtos são difíceis de executar.

O diretor do SICAD alerta no entanto que essa é uma situação, que tal como uma moeda tem um reverso: o desespero crescente de quem tem uma dependência. Até por isso, sublinha, é urgente acudir essas pessoas.

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de