Como é que, desta vez, o verão e o calor não travaram o SARS-CoV-2?

Vírus respiratórios tendem a ser menos comuns no verão, mas agora parece, à primeira vista, que estará a acontecer o contrário. Peritos avançam uma forte explicação, mas razão pode não ser única.

Portugal tem hoje mais do triplo dos casos ativos de Covid-19 do que tinha há exatamente um ano. São quase 50 mil infetados, num aumento que não tem parado apesar do calor do verão que no primeiro ano da pandemia era visto como um fator que travava o vírus. Os especialistas dizem que a explicação está, sobretudo, na força de contágio da variante Delta.

O presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia, Paulo Paixão, admite que a fadiga pandémica existe e é cada vez mais um problema, mas sublinha que no ano passado (em 2020) o vírus "amainou'' durante o verão e que agora, em 2021, a variante com origem na Índia mudou as 'regras', prejudicando qualquer comparação com o SARS-CoV-2 de um passado não muito distante.

"O facto de os números não estarem a descer este ano, nesta altura, não tenho qualquer dúvida, está relacionado, sobretudo, com a variante Delta. Aliás, antes de esta variante aparecer todas as nossas expectativas indicavam e estávamos a ver, a nível europeu, um abaixamento do número de casos mesmo nos sítios que já tinham desconfinado", detalha Paulo Paixão.

O perito recorda que a norma é que os vírus respiratórios tendem a ser menos comuns no verão, mas esta variante, muito mais transmissível, aumentou o índice de transmissibilidade (Rt), alterando a habitual sazonalidade do SARS-CoV-2.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já disse que a variante Delta será 60% mais contagiosa do que o vírus original.

O presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, António Morais, também refere o impacto da variante e da sua maior transmissibilidade, acrescentando, contudo, o efeito da exaustão pandémica.

"Há a questão do comportamento das pessoas pois provavelmente existe uma ideia na população, nomeadamente na mais jovem, que isto é algo para se viver... Será um conjunto de fenómenos que podem estar a condicionar que os números sejam atualmente estes", refere o especialista em pneumologia que não tem dúvidas: sem as vacinas, o número de contágios, hoje, mesmo com o calor, seria muitíssimo mais elevado.

Há exatamente um ano, Portugal tinha por esta altura cerca de 14 mil casos ativos de Covid-19 - atualmente são 47 mil e hoje, quarta-feira (14 de julho), o país registou o número diário mais alto de casos (+4.153) desde 10 de fevereiro de 2021, há mais de 6 meses.

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