Comunidades religiosas adaptam ritos fúnebres com menos pessoas

Imã da Mesquita Central de Lisboa referiu que os mortos vão diretamente para o cemitério dentro do caixão.

As diferentes comunidades religiosas portuguesas estão a adaptar os ritos fúnebres com a presença do menor número de pessoas e exclusivamente para familiares diretos, durante o estado de emergência devido à pandemia da Covid-19, cumprindo as ordens governamentais.

Em declarações à agência Lusa, o imã da Mesquita Central de Lisboa, David Munir, referiu esta sexta-feira que os mortos vão diretamente para o cemitério dentro do caixão, onde é feita a oração fúnebre.

"A oração fúnebre é feita no cemitério. Antes, o corpo ia para a mesquita, onde fazíamos a lavagem, vestíamos um pano próprio e depois fazíamos a oração fúnebre", indicou, acrescentando que, só após estes processos, o corpo era levado para o cemitério, onde "era enterrado sem o caixão".

Segundo o xeque Munir, a comunidade muçulmana tem cumprido com as ordens da Direção-Geral da Saúde.

"Agora todas pessoas que falecem não podem vir para a mesquita. Neste momento, pelas indicações que nós temos, o corpo vai diretamente para o cemitério, lá fazemos a oração fúnebre e o corpo é enterrado no caixão", disse.

A Mesquita Central de Lisboa está encerrada por tempo indeterminado após ter sido decretado estado de emergência, no dia 18 de março, por causa da pandemia da Covid-19.

Por seu turno, Isaac Assor, da Comunidade Israelita de Lisboa, salientou que um dos princípios fundamentais do judaísmo é respeitar as recomendações das organizações de saúde.

"As pessoas não estão possibilitadas de fazer o luto que poderiam fazer ou que deveriam fazer numa situação normal", observou.

De acordo com o oficiante dos serviços religiosos do espaço de culto dos judeus lisboetas, o rito fúnebre, atualmente, é "um tema complicado", porque é limitado a um determinado número de pessoas.

Com as sinagogas encerradas, e a comunidade judaica a adaptar-se, Isaac Assor recordou que a base fundamental do judaísmo é a preservação da vida.

"Tudo aquilo que é para preservar a vida humana temos de fazer. O judaísmo proíbe qualquer coisa que seja contra isso. As comunidades judaicas que transgridem as leis que são impostas pelos governos e pelas organizações de saúde estão a ir contra os princípios fundamentais do judaísmo", alertou.

Para o responsável, vive-se uma situação única, em que as comunidades religiosas têm um papel muito importante que é "minimizar a baixa de moral que existe, apelando à oração, à introspeção, à caridade e a movimentos sociais".

Em 16 de março, a Igreja Católica portuguesa suspendeu a celebração de missas comunitárias, mantendo a realização de funerais, limitados à participação dos familiares mais próximos.

Na ocasião, o presidente da Comissão Episcopal de Liturgia e Espiritualidade, D. José Cordeiro, disse à Agência Ecclesia que as celebrações de outros sacramentos, após a suspensão das missas, se devem "circunscrever ao núcleo familiar, às pessoas mais próximas" pelo "bem maior do dom da vida"

O decreto que regulamenta o novo período de estado de emergência, que vigora por 15 dias a partir das 00h00 desta sexta-feira, dá ainda continuidade à proibição de cerimónias de culto e de cariz religioso que impliquem uma aglomeração de pessoas e à determinação das limitações para a realização de funerais.

Em Portugal, segundo o balanço feito esta sexta-feira pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 246 mortes, mais 37 do que na véspera (+17,7%), e 9886 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 852 em relação a quinta-feira (+9,4%).

Dos infetados, 1058 estão internados, 245 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 68 doentes que já recuperaram. O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infetou mais de um milhão de pessoas em todo o mundo, das quais morreram perto de 55 mil.

Dos casos de infeção, cerca de 200 mil são considerados curados.

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